A Biblioteca Fran Paxeco, localizada no centro comercial de Belém, é um tesouro literário que muitas vezes passa despercebido por quem transita pela Rua Manoel Barata. Instalada no terceiro andar do prédio histórico do Grêmio Literário e Recreativo Português, fundado em 1867, a biblioteca reúne cerca de 38 mil volumes, dos quais aproximadamente 600 são considerados obras raras. Esse acervo coloca a instituição entre as mais relevantes do Brasil nesse segmento.
Importância histórica e cultural
O museólogo e cientista político João Polaro, frequentador assíduo do espaço, ressalta seu valor patrimonial. “Esse espaço, além de ser lindo, é uma herança portuguesa muito importante”, afirma. A biblioteca não apenas preserva livros, mas também mantém viva a memória da comunidade luso-brasileira na região.
Acervo diversificado e raro
A preservadora Ethel Valentina Soares destaca a relevância internacional da coleção. “A biblioteca do Grêmio é uma das mais importantes da América Latina por algumas raridades que ela tem”, diz. Entre os títulos, encontram-se obras clássicas da literatura, periódicos antigos e registros históricos que abrangem séculos, incluindo desde romances até jornais de época com conteúdos variados, como receitas tradicionais portuguesas.
A bibliotecária Nazaré Góes enfatiza a riqueza do acervo. “Temos obras de Camões, por exemplo, e edições muito antigas”, explica. A diversidade de autores portugueses, franceses e ingleses torna a biblioteca um centro de referência para pesquisadores de todo o Brasil e do exterior.
Preservação e conservação
A sala destinada às obras raras é climatizada e monitorada continuamente para garantir a conservação dos exemplares. Esse cuidado é essencial para manter a integridade de livros que atravessaram séculos e que são fontes primárias para estudos acadêmicos.
Arquitetura e arte
Além do acervo, o prédio do Grêmio chama atenção por sua arquitetura e elementos artísticos. Na entrada, painéis de azulejos portugueses retratam a Universidade de Coimbra e a obra “A Primeira Missa no Brasil”, de Victor Meireles. Nas escadarias, há referências a Luís de Camões, um dos maiores nomes da literatura portuguesa. O espaço é considerado patrimônio cultural e imaterial do Pará.
Abertura ao público
Recentemente, o Grêmio passou a integrar um projeto que visa ampliar o acesso do público ao local. A previsão é que o espaço seja aberto para visitação com exposições temáticas. “No dia 7 de junho, vamos abrir com uma exposição de Camões”, adianta Ethel. A iniciativa deve permitir que mais pessoas conheçam de perto o acervo histórico, que hoje atrai pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e do exterior.



