Artista Badu inaugura exposição 'Carnavalesco Canibalesco' em Brasília com entrada gratuita
A galeria A Pilastra, localizada no Guará II, em Brasília, recebe a partir desta quinta-feira (19) a exposição 'Carnavalesco Canibalesco', do artista Badu. Com entrada totalmente gratuita, a visitação segue aberta ao público até a próxima quarta-feira (25), oferecendo uma imersão em um universo artístico único e vibrante.
O artista por trás da obra
Nascido em João Pessoa, na Paraíba, e residente em Goiânia, Goiás, o artista Emmanuel Felipe, de 25 anos, conhecido artisticamente como Badu, desenvolve um trabalho que mescla diversas técnicas. Ele utiliza bordados, pinturas, desenhos e objetos para construir narrativas visuais, sendo a matéria-prima principal retalhos de fantasias de Carnaval coletadas em desfiles nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória.
Segundo Badu, a exposição não é simplesmente 'sobre' o carnaval, mas sim um próprio carnaval em seu conceito. 'Uma das propostas da mostra é utilizar a sacralidade da pintura a óleo — considerada por alguns historiadores como a maior arte — para carnavalizar e brincar com essa história oficial da arte, que é muito enrijecida, e transformar isso em um verdadeiro carnaval', explica o artista.
Processo criativo e inspiração
A exposição nasceu do sonho de infância de Badu de trabalhar com a festa carnavalesca. Ao ingressar no curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG), ele encontrou na arte contemporânea uma alternativa viável para realizar esse desejo. 'Meu grande sonho desde criança é trabalhar com aquele carnaval de sambódromo. Na arte contemporânea, percebi que havia uma possibilidade de realizar esse desejo, já que eu não podia atuar na Sapucaí por questões financeiras', relata.
O impulso definitivo para a criação da mostra veio de conversas profundas com a curadora Geovanna Belizze, mestre em antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e fotógrafa. Juntos, eles debateram sobre como o carnaval é frequentemente subestimado no meio acadêmico e artístico, o que levou a exposição a surgir como uma resposta contundente a essa visão elitista.
Características das obras
As obras apresentadas na exposição utilizam elementos típicos da festa, como lantejoulas, paetês, glitter e plumas, para subverter a lógica tradicional da arte. 'É um processo de subverter essa lógica tradicionalíssima da pintura a óleo. Pegar isso e colocar muito glitter, muitos pigmentos holográficos e transformar em outra coisa que se pareça mais com o carnaval que eu tenho contato', detalha Badu.
Significado da exposição para o artista
Esta é a primeira exposição individual de Badu fora de Goiânia, representando um marco significativo em sua carreira. Para ele, a oportunidade significa 'o brilho de lantejoulas no fim do túnel', após um período de frustrações e desafios no meio artístico.
O artista planejou a exposição para ser portátil, cabendo em apenas duas malas para a viagem de ônibus de Goiânia a Brasília. 'É uma experiência única que eu estou amando. O pessoal da Pilastra me recebeu muito bem, de braços abertos, eu só tenho a agradecer porque eu estava muito receoso', afirma com entusiasmo.
Impacto e reflexão proposta
A exposição de Badu não apenas encanta visualmente, mas também provoca e estimula o debate sobre as múltiplas possibilidades do que pode ser o carnaval na arte. Ela propõe uma nova história da arte brasileira, mais festiva, inclusiva e popular, desafiando convenções e celebrando a diversidade cultural do país.



