Mulambö pinta tela ao vivo no desfile da Vila Isabel em homenagem a Heitor dos Prazeres
Artista pinta ao vivo no desfile da Vila Isabel

Artista transforma avenida em ateliê durante desfile da Vila Isabel

Em uma fusão vibrante entre arte performática e cultura popular, o pintor João Gabriel da Mota, conhecido como Mulambö, protagonizou um momento histórico no Carnaval carioca de 2026. Durante o desfile da escola de samba Vila Isabel, que homenageou o artista Heitor dos Prazeres com o enredo "Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África", uma tela foi pintada ao vivo, diante de milhares de espectadores na Marquês de Sapucaí.

Honra e responsabilidade em representar um legado

Em entrevista exclusiva à coluna GENTE, Mulambö revelou a profundidade emocional envolvida no convite. "Foi uma sensação de ser uma das maiores honras e ao mesmo tempo uma das maiores responsabilidades que eu já tive como artista", afirmou. Ele destacou que representar Heitor dos Prazeres significa celebrar gerações de artistas que resistiram e pavimentaram o caminho para expressões culturais contemporâneas. "Representar várias e várias gerações de artistas que resistiram e possibilitaram que hoje eu sonhe, sambe e grite em plenos pulmões com orgulho", completou, enfatizando a conexão orgânica entre seu trabalho e o enredo da escola.

Processo criativo sob os holofotes do samba

Ao ser questionado sobre como pintar ao vivo, em meio ao frenesi do desfile, impacta seu processo criativo, Mulambö foi enfático. "Com certeza vai ser um momento único porque vou estar pintando no lugar onde a arte é mais celebrada no mundo!" Ele comparou a experiência a um retorno às origens, já que aprendeu a ser artista com o Carnaval e as escolas de samba. "Posso dizer que vou estar mais em casa do que em qualquer museu ou galeria", refletiu, destacando a atmosfera única da avenida.

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Desafios e improvisação no ritmo da bateria

O tempo limitado do desfile impôs desafios específicos, mas o artista encarou com humor e preparação. "Vai precisar que eu tire 10 em evolução na pintura", brincou, referindo-se à necessidade de sincronia com o desfile. Mulambö explicou que, apesar do planejamento minucioso, o Carnaval sempre reserva espaço para o inesperado. Citando o professor Luiz Antônio Simas, ele descreveu a festa como "oxalufânica e ao mesmo tempo exusíaca", onde a bateria guia tanto os pés no samba quanto a mão na pintura. "Ali na hora é deixar a bateria guiar a mão da mesma forma que guia nossos pés quando sambamos na quadra", afirmou, ressaltando a importância do improviso para honrar a comunidade da Vila Isabel e o legado de Heitor dos Prazeres.

Alinhamento natural entre arte e enredo

Sobre a liberdade criativa, Mulambö revelou que o processo foi extremamente orgânico. Desde o convite, houve um alinhamento constante com a escola para garantir que a obra respeitasse a comunidade e a homenagem. "A relação do meu trabalho com o enredo é tão natural e carnal que o processo foi muito orgânico", explicou. Ele enfatizou que seu trabalho é um fruto direto da semente plantada por Heitor dos Prazeres, conectando histórias pessoais à cultura popular de forma visceral.

Esta performance não apenas marcou o desfile da Vila Isabel, mas também reforçou o Carnaval como um palco dinâmico para expressões artísticas inovadoras, celebrando a herança cultural brasileira em tempo real.

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