Edifício Arcângelo Maletta: um ícone cultural no coração de Belo Horizonte
Desde a fundação da capital mineira, a esquina da Avenida Augusto de Lima com a Rua da Bahia se consolidou como um polo de cultura e história. No local que abrigou o antigo Grande Hotel, onde personalidades como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral se hospedaram, foi erguido o Edifício Arcângelo Maletta, inaugurado no início dos anos 1960. Hoje, o prédio se destaca como um dos mais emblemáticos de Belo Horizonte, preservando memórias vivas através de objetos expostos em suas diversas lojas comerciais.
Um destino para garimpar tesouros culturais
O Maletta é um endereço obrigatório para quem pratica o verbo garimpar, oferecendo uma vasta gama de tesouros que vão desde roupas que retratam diferentes épocas até livros que testemunham e sobrevivem ao tempo. A atmosfera única atrai visitantes em busca de itens raros e históricos, transformando o espaço em um verdadeiro paraíso para colecionadores e amantes da cultura.
Histórias pessoais que se entrelaçam com o edifício
Terêncio de Oliveira, jornalista e dono de um sebo no Maletta, frequenta os corredores do prédio desde a infância, inicialmente atraído pela gastronomia. "Minha relação com o Maletta começou em 1993, quando eu tinha 7 anos. Meu pai nos trazia para almoçar na Cantina do Lucas, sempre pedindo peito de frango à Maryland", relembra. Durante a faculdade, Terêncio passou a frequentar os bares da varanda e, anos depois, encontrou a oportunidade de abrir seu sebo após ver um anúncio de venda em uma das lojas. "Não fui eu que escolhi o Maletta; foi o Maletta que nos escolheu", afirma.
Com mais de uma década de funcionamento, seu sebo conta com cerca de 9 mil títulos, incluindo livros e vinis, atraindo um público diversificado. "Chega gente querendo desde livros sobre Che Guevara até Platão e Aristóteles", diz Terêncio. Entre as relíquias que já passaram pela loja, destaca-se um livro de 1911 sobre o bicentenário de Ouro Preto, considerado o exemplar brasileiro mais antigo que ele já vendeu.
Paraíso dos colecionadores e amantes de nostalgia
O Maletta também é uma referência para colecionadores como Vinícius Calazans, servidor público conhecido nas redes sociais como O Rambo dos Jogos. Com um acervo de mais de mil jogos e cerca de 70 videogames, Vinícius visita o edifício pelo menos duas vezes por mês, em busca de itens como fitas de VHS, televisões de tubo e jogos antigos. "O que mais me atrai são os enfeites e objetos de decoração dos anos 1980 e 1990", explica.
Em uma de suas visitas, ele encontrou uma preciosidade: um pôster do jogo QuackShot, lançado em 1991 para o Mega Drive. Vinícius costuma levar colecionadores de outros estados ao Maletta, destacando a surpresa deles com a variedade e quantidade de itens disponíveis. "O sentimento de caçada motiva o colecionador, pois nunca se sabe o que vai encontrar", afirma.
Um legado que perdura no tempo
O Edifício Arcângelo Maletta continua a ser um ponto de encontro para gerações, combinando gastronomia, cultura e comércio em um só lugar. Sua escada rolante lendária, os corredores repletos de histórias e a diversidade de lojas o tornam um símbolo vivo da identidade cultural de Belo Horizonte, perpetuando memórias e incentivando novas descobertas.



