Semana de Despedidas: Cultura Perde Três Ícones Inesquecíveis
A revista VEJA lamenta profundamente a perda de três figuras fundamentais da cultura contemporânea, cujas obras transcenderam gerações e fronteiras. A semana de fevereiro de 2026 ficou marcada pelo falecimento de Catherine O'Hara, a versátil atriz canadense; James Sallis, o mestre do romance policial; e Sal Buscema, o lendário quadrinista da Marvel. Cada um deixou um legado único que continuará a inspirar artistas e públicos ao redor do mundo.
Catherine O'Hara: A Arte de Humanizar o Exagerado
A versatilidade que definiu a trajetória de Catherine O'Hara surgiu desde seus primeiros passos no grupo de improvisação Second City Theatre, em Toronto, onde nasceu em 1954. Sua formação rigorosa, baseada na criação espontânea, moldou um método interpretativo singular, capaz de transformar personagens excêntricos em seres profundamente humanos, emocionando e arrancando gargalhadas com igual maestria.
Ela estreou no cinema em 1980 com Imagem Dupla, do conterrâneo George Bloomfield, mas foi como Delia Deetz em Os Fantasmas se Divertem (1988), de Tim Burton, que consolidou sua marca registrada: extrair humor de figuras exageradas sem jamais ridicularizá-las. Com sensibilidade ímpar, interpretou a mãe de Kevin McAllister em Esqueceram de Mim (1990), uma comédia que se tornou clássico natalino familiar.
Sua colaboração com Burton prosseguiu em O Estranho Mundo de Jack (1993), na pele da protagonista Sally. Nas décadas seguintes, O'Hara manteve presença constante na televisão, com participações em séries como Segura a Onda, Modern Family e The Last of Us. Foi como Moira Rose em Schitt's Creek, contudo, que conquistou um Emmy em 2020, papel que virou ícone das redes sociais por suas falas ácidas e viralizáveis.
Morreu na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, aos 71 anos, em Los Angeles. Casada com o designer de produção Bo Welch, deixa dois filhos, Matthew e Luke. A família confirmou o falecimento, mas não divulgou a causa.
James Sallis: O Crime com Ares de Alta Literatura
O escritor americano James Sallis construiu uma obra vasta e eclética, transitando entre ficção científica, poesia e crítica literária. No entanto, foram seus romances policiais que o tornaram célebre, graças a uma prosa precisa que elevava crimes violentos à condição de alta literatura.
Nascido no Arkansas em 1944, Sallis estreou nas livrarias com uma coletânea de contos em 1970. Seus maiores sucessos vieram com Drive (2005), adaptado para o cinema seis anos depois, e Driven (2012), a continuação. Professor do Phoenix College, ele também se dedicou a analisar a vida de escritores do gênero noir, contribuindo para a compreensão acadêmica do tema.
Morreu na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, aos 81 anos, de causa não divulgada, deixando um legado literário que continua a influenciar novos autores.
Sal Buscema: O Traço Visceral dos Super-Heróis
Um dos grandes quadrinistas americanos das décadas de 1960 e 1970, Sal Buscema marcou época como desenhista de super-heróis da Marvel. Seguindo os passos do irmão, o célebre John Buscema, ele forjou uma identidade artística própria, caracterizada por um traço visceral e repleto de ação explosiva.
Seu trabalho influenciou gerações ao ilustrar a revista O Incrível Hulk e a histórica sequência de 100 edições consecutivas de O Espetacular Homem-Aranha, onde priorizou sempre o impacto emocional e a clareza visual. Buscema morreu na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, aos 89 anos. A causa da morte não foi divulgada pela família, mas seu legado artístico permanece vivo nas páginas que desenhou.
Estas despedidas relembram a importância do legado cultural deixado por artistas que, através de suas obras, tocaram milhões de pessoas. Seus trabalhos continuarão a ser celebrados e estudados, garantindo que suas contribuições não sejam esquecidas.
