UFMT exibe documentários experimentais sobre vivências femininas produzidos por alunos de Jornalismo
UFMT exibe documentários sobre mulheres produzidos por alunos

UFMT promove exibição de documentários experimentais sobre realidade feminina em Mato Grosso

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realiza, nesta segunda-feira (6), uma sessão aberta e gratuita para apresentar dois documentários experimentais produzidos por alunos do curso de Jornalismo. O evento acontece no auditório da instituição, localizado em Cuiabá, com início marcado para as 19h30.

Obras em destaque abordam temas sociais urgentes

As produções que serão exibidas são 'Meu corpo, suas regras: vida de Emily Bispo', dirigido pela aluna Bianca Mortelaro, e 'Terezas: vivências femininas e ensino superior em MT', sob direção do aluno Paulo Luiz. Ambos os filmes exploram questões sociais profundamente ligadas à realidade das mulheres e suas experiências em diferentes contextos do estado.

Em entrevista, Bianca Mortelaro explicou que seu documentário tem como objetivo principal denunciar a forma como a violência contra a mulher é frequentemente retratada pela mídia e resgatar a memória de Emily Bispo da Cruz, vítima de feminicídio em Cuiabá. "O filme se posiciona contra a mídia hegemônica que tende a tratar as vítimas de feminicídio apenas como números", afirmou a estudante.

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Processo criativo intenso e cuidadoso

O desenvolvimento do documentário sobre Emily Bispo demandou mais de seis meses de trabalho, incluindo aproximadamente três meses dedicados às etapas de gravação e edição. A equipe realizou entrevistas com profissionais do jornalismo, representantes do Instituto de Mulheres Negras e uma psicóloga, abordando temas complexos como:

  • Violência de gênero e suas manifestações
  • Interseccionalidade nas experiências femininas
  • Ciclo da violência doméstica
  • Processos de luto enfrentados por familiares

"Foi um processo intenso, principalmente devido aos prazos do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Desenvolvemos duas versões do filme, uma delas especialmente concebida para participação em festivais", revelou Bianca. A estudante enfatizou que a proposta central foi resgatar a memória de Emily sem focar no crime em si, buscando um distanciamento necessário para honrar sua história.

Documentário explora empoderamento feminino no ensino superior

Já o documentário dirigido por Paulo Luiz, intitulado 'Terezas', investiga o papel transformador da mulher na sociedade mato-grossense. O filme apresenta histórias de mulheres que encontraram na universidade um caminho significativo para transformação pessoal e social.

"A ideia nasceu de uma inquietação que me acompanha desde a infância sobre o lugar da mulher em nosso estado, que enfrenta índices preocupantes de violência de gênero", explicou o estudante. Sua produção vai além de simplesmente retratar dificuldades, buscando mostrar caminhos possíveis de autonomia, formação acadêmica e resistência.

Metodologia baseada em escuta ativa e responsabilidade ética

Paulo Luiz destacou que o documentário foi construído através de uma metodologia fundamentada na escuta ativa e no respeito profundo pelas histórias das entrevistadas. "Era fundamental que essas narrativas fossem contadas com extremo cuidado e responsabilidade, compreendendo o audiovisual como uma ferramenta poderosa para construção de memória coletiva", afirmou.

O estudante completou: "É importante lembrar que ninguém faz audiovisual sozinho. Esta produção é resultado de um trabalho colaborativo que envolveu diversas vozes e perspectivas".

Incentivo à produção acadêmica e profissional

Os alunos, que estão em fase final de conclusão do curso de Jornalismo, expressaram a esperança de que seus trabalhos possam incentivar outros estudantes a desenvolverem produções semelhantes. Eles enxergam essas iniciativas como formas valiosas de desenvolvimento tanto acadêmico quanto profissional, contribuindo para uma formação mais completa e engajada socialmente.

Bianca Mortelaro ainda revelou planos futuros para seu documentário: "A ideia é publicar o filme em plataformas públicas após a exibição em festivais, ampliando assim o alcance dessa importante discussão sobre violência de gênero e representação midiática".

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A sessão de exibição na UFMT representa não apenas a culminação de meses de trabalho dedicado, mas também uma oportunidade para a comunidade acadêmica e o público em geral refletirem sobre questões sociais urgentes através da linguagem documental.