Oscar 2026: Uma noite de recordes e emoções em Los Angeles
O correspondente Felippe Coaglio acompanhou os bastidores da cerimônia do Oscar, realizada no domingo (14), em Los Angeles, em uma edição que entrou para a história do cinema. Após o evento principal, dezenas de festas tomaram conta da cidade, mas o vencedor do prêmio de melhor ator optou por uma celebração tipicamente americana: um hambúrguer a apenas dois quarteirões do teatro Dolby.
Triunfos e marcos históricos
Michael B. Jordan, que interpreta gêmeos no filme "Pecadores", superou concorrentes como Wagner Moura, Timothée Chalamet, Leonardo DiCaprio e Ethan Hawke para levar a estatueta. Em seu discurso emocionante, Jordan declarou: "Estou aqui por causa das pessoas que vieram antes de mim", tornando-se o sexto ator negro a vencer nesta categoria. O filme, que utiliza o gênero de terror para abordar temas de racismo e combate ao preconceito, também conquistou os prêmios de melhor roteiro original e melhor trilha sonora original.
Além disso, "Pecadores" fez história ao garantir o Oscar de melhor fotografia para Autumn Durald Arkapaw, a primeira mulher a vencer nesta categoria, superando o brasileiro Adolpho Veloso, indicado por "Sonhos de Trem". O filme chegou à premiação com um recorde impressionante: 16 indicações, um feito inédito na história do Oscar.
O grande campeão da noite
No entanto, o grande vencedor da noite foi "Uma Batalha Após a Outra", que levou seis estatuetas, incluindo a cobiçada de melhor filme. A trama política, mesclando ação e humor, desbancou "O Agente Secreto" e outros oito filmes na categoria mais importante. O cineasta Paul Thomas Anderson, que já havia sido indicado outras 11 vezes, conquistou também os prêmios de melhor direção e melhor roteiro adaptado.
"Uma Batalha Após a Outra" ainda faturou os Oscares de melhor montagem, melhor ator coadjuvante para Sean Penn (que não compareceu à cerimônia) e a inédita categoria de melhor seleção de elenco. Para esta estreia, a Academia convidou um ator de cada filme indicado, com Wagner Moura representando "O Agente Secreto" e destacando em seu discurso o talento de Gabriel Domingues ao recriar o Recife dos anos 1970.
Disputas acirradas e ausência brasileira
A categoria de filme internacional, na qual o Brasil tinha grandes expectativas com "O Agente Secreto", ficou com a Noruega, cujo "Valor Sentimental" superou a produção brasileira ao retratar os traumas de uma família. Esta edição do Oscar foi uma das mais competitivas da história, registrando pela sétima vez um empate, ocorrido na categoria de melhor curta-metragem, com dois filmes dividindo a estatueta.
Outros destaques incluíram "Frankenstein", do mexicano Guillermo del Toro, que levou três Oscares (figurino, maquiagem e direção de arte), e Amy Madigan, vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante por "A Hora do Mal". O Oscar de melhor atriz foi para a irlandesa Jessie Buckley, de "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", que fez o discurso mais emocionante da noite, dedicando o prêmio "ao lindo caos do coração de uma mãe" em referência ao seu papel.
A 98ª edição do Oscar ficou marcada por vitórias históricas, competição intensa e a ausência de prêmios para o Brasil, consolidando-se como um evento memorável no calendário cinematográfico mundial.
