Autor de 'Dona Beja' celebra novela incômoda e sua releitura na HBO Max
Daniel Berlinsky fala sobre releitura de 'Dona Beja' na HBO Max

Autor de 'Dona Beja' celebra novela incômoda e sua releitura na HBO Max

Quando recebeu a missão de fazer uma releitura de Dona Beja para a HBO Max, Daniel Berlinsky decidiu se guiar pela narrativa explorada na primeira versão de 1986, exibida na Manchete, que retratava uma mulher à frente do seu tempo. No entanto, o autor se viu diante do desafio de inovar quatro décadas depois, em um contexto social transformado.

Uma protagonista que desafia convenções

Na produção do streaming, Dona Beja, vivida por Grazi Massafera, é uma mulher condenada pela sociedade após ser sequestrada, que decide abrir um bordel, desafiando os conservadores do Brasil imperial. Berlinsky explica que a espinha dorsal da novela está na recusa da protagonista em aceitar o lugar que tentam lhe impor.

"Quando falo de uma mulher que, depois de ser raptada, tem sua reputação manchada e só encontra como destino possível o convento ou o apagamento social, e que se recusa às duas opções para inventar a própria identidade, estamos falando de diversidade na raiz", analisa o roteirista.

O incômodo como sinal de impacto

O autor reconhece que, mesmo em 2026, o caminho escolhido provoca reações, e celebra isso: "A gente sabe que vai incomodar, e o incômodo é bom. É sinal de que estou fazendo alguém sentir. A Beja foi, para mim, um passeio dentro dos meus próprios preconceitos até chegar ao texto. É uma novela incômoda, graças a Deus".

Berlinsky destaca que a sociedade mudou menos do que gostaríamos, mas nossa consciência se ampliou, permitindo que a personagem vá mais longe e leve outros com ela. Para ele, Dona Beja é uma obra em permanente deslocamento, como água em movimento, que convida o público a pensar e sentir.