Diretor e protagonista revelam bastidores do filme baiano 'Sonho de Arrocha'
Bastidores do filme baiano 'Sonho de Arrocha' são revelados

Filme baiano 'Sonho de Arrocha' celebra cultura local e sonhos musicais

Uma narrativa envolvente sobre sonhos, música e identidade baiana chega às telas com o telefilme "Sonho de Arrocha", uma produção da Gran Maître Filmes em coprodução com a TV Bahia. A obra acompanha a trajetória de Biel, interpretado pelo jovem ator Gui Nery, um garoto de 12 anos que almeja se tornar o maior cantor de arrocha do Brasil e enfrenta desafios familiares para seguir esse caminho.

Ambientação e elementos narrativos

Ambientado integralmente na Bahia com elenco totalmente local, o telefilme mescla elementos como fé, relações familiares e a força da cultura popular. Na trama, Biel vive com a mãe Rosa e a avó Joaquina. Ao descobrir que um artista famoso se apresentará em seu bairro, o menino elabora um plano com o melhor amigo para assistir ao show escondido, mas encontra obstáculos antes de realizar seu desejo.

Processo criativo e inspiração

O diretor Marcos Alexandre revela que a ideia para a obra nasceu de sua relação pessoal com o gênero musical arrocha durante a infância. "Eu nasci em Salvador, mas cresci na região metropolitana, em Vila de Abrantes, próximo a Candeias, reconhecida como berço do ritmo baiano", contextualiza o cineasta. "Sempre quis contar uma história sobre arrocha porque é algo muito nosso, presente na nossa realidade e cultura, com relação à família negra e periférica de Salvador".

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Alexandre destacou que um dos principais desafios foi equilibrar os diferentes elementos da narrativa:

  • Música e expressão cultural
  • Religião e contexto evangélico
  • Conflitos familiares e aspirações pessoais

"A proposta era trazer uma família evangélica dentro desse contexto, inclusive mostrando o arrocha gospel. Buscamos construir uma família unida e saudável, equilibrando o desejo do personagem Biel com esse ambiente", explicou o diretor.

Escolha do protagonista e identificação

Para o papel principal, foi escolhido o jovem ator Gui Nery, de 11 anos, que faz sua estreia como protagonista em um longa-metragem. Gui contou que a identificação com o personagem veio, em parte, pelo gosto em comum pelo gênero musical. "Ele gosta de arrocha como eu, é travesso, mas também tem diferenças. Foi legal essa convivência com a família do personagem e com o amigo dele".

O ator, que já tinha experiência com teatro, publicidade e curtas-metragens, revelou que não precisou fazer aulas de canto para viver seu primeiro protagonista. "Eu escolhi a música para o teste e cantei. Deu certo", celebrou.

Decisão de elenco e aprovação

O processo de escolha do protagonista foi decisivo para o resultado final do trabalho, segundo Marcos Alexandre. "Quando vi o teste dele, não tive dúvida. Pedi que também cantassem arrocha para ver essa conexão com a música, e quando vi o vídeo de Gui, soube que era ele", contou. A escolha foi rapidamente aprovada pela produção e pela TV Globo.

Produção local e representatividade

O cineasta ressaltou a importância de o filme ser totalmente produzido na Bahia, com equipe e elenco locais. "É um sonho enquanto realizador. Lutamos muito para conseguir produzir filmes e ter um projeto desse tamanho, com talentos daqui, gravado na nossa cidade. É fundamental para fortalecer o audiovisual baiano", afirmou.

Outro ponto destacado foi a preocupação em evitar estereótipos. "Como o elenco é daqui, não houve necessidade de forçar sotaque ou comportamento. Também pensamos em mostrar uma família periférica sem o estigma da escassez, com uma casa organizada, uma vida estruturada, com cuidado e dignidade".

Exibição e significado profissional

Com exibição prevista para 30 de março na Tela Quente, na programação da TV Globo, e no Cine BBB, do reality show Big Brother Brasil, o filme marca um momento importante na carreira dos envolvidos. "Eu cresci assistindo à Tela Quente. Chegar nesse espaço e poder contar uma história para o país inteiro é muito especial. É um sentimento de gratidão e felicidade", definiu o diretor.

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A obra foi gravada em 2025 e representa uma celebração da cultura baiana através do gênero musical arrocha, trazendo à tona discussões sobre identidade, família e a realização de sonhos dentro do contexto cultural regional.