Floresta Amazônica molda thriller 'Rio de Sangue' com Antonelli e Wegmann
Amazônia define thriller 'Rio de Sangue' com Antonelli

Floresta Amazônica como personagem central define thriller nacional 'Rio de Sangue'

A experiência de filmar em meio à densa vegetação da floresta amazônica foi fundamental para determinar o tom e desenvolver as personagens de "Rio de Sangue", o novo thriller nacional que tem Giovanna Antonelli e Alice Wegmann como protagonistas. O longa-metragem, que estreia em 16 de abril, utiliza o cenário paraense não apenas como pano de fundo, mas como uma força dramática ativa que empurra as protagonistas aos seus limites emocionais e físicos.

Personagens complexas em cenário desafiador

Na trama, Giovanna Antonelli interpreta Patrícia, uma policial marcada por um fracasso profissional que a levou ao afastamento da corporação após uma operação malsucedida. Jurada de morte pelo narcotráfico, ela abandona São Paulo e tenta reconstruir a relação com a filha Luiza, vivida por Alice Wegmann, na cidade de Santarém, no Pará.

Segundo Antonelli, a força da personagem reside precisamente em suas contradições. "Ela começa ferida. A culpa e o medo não são obstáculos, são a forma como ela reage ao mundo", revela a atriz. Patrícia não surge como uma heroína tradicional, mas como uma mulher tentando se reorganizar internamente enquanto tudo ao seu redor desmorona.

Amazônia intensifica conflitos emocionais

O que deveria ser um recomeço tranquilo transforma-se em pesadelo quando Luiza, médica vinculada a uma ONG que atua junto a povos indígenas no Alto Tapajós, é sequestrada durante uma missão humanitária. A Amazônia, nesse contexto, funciona como um amplificador dos conflitos internos das personagens.

"Filmar lá tira da zona de conforto. O calor, o limite físico, a vulnerabilidade. É exatamente o estado interno da Patrícia", explica Antonelli. "É um teste constante, porque ela precisa agir com o que tem, não com o que gostaria de ter."

Evolução da personagem e instinto materno

Ao longo da narrativa, Patrícia distancia-se gradualmente do papel institucional de policial e passa a agir movida exclusivamente pelo instinto materno. "Chega uma hora em que o protocolo deixa de fazer sentido. Ela não abandona quem é, mas passa a agir totalmente pela urgência", detalha a atriz.

Antonelli destaca que Patrícia se diferencia de outras mulheres fortes que já interpretou justamente por não sustentar a força o tempo todo. "Ela erra, hesita, cansa. Vence porque insiste, mesmo quando não tem mais controle da situação."

Personagem de Alice Wegmann: força e resistência

Alice Wegmann interpreta Luiza, uma médica humanitária que escolheu atuar em regiões de risco. A atriz conta que se sentiu atraída pela entrega da personagem e pelo cenário do filme. "Não existe profissão mais bonita. Ela se doa, se coloca em risco em prol de algo muito maior: a floresta, os indígenas, a vida naquele lugar", afirma.

Mesmo sequestrada, Luiza não é retratada apenas como vítima. Wegmann destaca a resistência emocional da personagem, construída a partir da relação com a mãe. "Essa força vem da mãe, quase da natureza dela. Ela viu a mãe enfrentar situações perigosas a vida inteira e aprende a enfrentar também, do jeito dela, mais pacífico."

Química entre as atrizes e preparação intensa

A relação entre mãe e filha é o motor emocional do filme e refletiu-se fora de cena. "Foi facílimo construir esse vínculo com a Giovanna. Ela é divertida, alto astral, levanta todo mundo. Contamina o set", relata Wegmann.

A preparação das atrizes incluiu workshops médicos e pesquisas sobre ativistas que atuaram na região amazônica, como Dorothy Stang e Chico Mendes, figuras emblemáticas na defesa da floresta e dos povos tradicionais.

Temas atuais e relevância social

Dirigido por Gustavo Bonafé, conhecido por "Insânia", "Rio de Sangue" dialoga com temas urgentes como narcotráfico, garimpo ilegal e violência na Amazônia. Para Antonelli, o filme convida à inquietação. "Esses conflitos não são abstratos, atravessam vidas reais", afirma.

Wegmann concorda e ressalta que o longa vai além do entretenimento puro. "Tem 'tiro, porrada e bomba', mas fala do nosso bem mais precioso, que é a floresta Amazônica", diz. "É um filme do qual eu me orgulho muito."

Elenco diversificado e estreia nacional

O elenco do filme conta ainda com participações de Felipe Simas, Antônio Calloni, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa e Ravel Andrade, garantindo diversidade e profundidade às personagens secundárias. A estreia nacional está marcada para 16 de abril, quando o público poderá conferir essa produção que mistura suspense, drama familiar e crítica social em um cenário brasileiro tão rico quanto ameaçado.