Zoológico de Bauru intensifica cuidados com animais idosos para garantir bem-estar e longevidade
No Zoológico de Bauru, localizado no interior de São Paulo, o envelhecimento dos animais é tratado com uma atenção meticulosa e uma rotina de cuidados ampliada. A instituição, reconhecida por seu trabalho de preservação, implementa uma série de estratégias que vão desde exames preventivos regulares até a administração criativa de medicamentos, escondidos em alimentos, para assegurar conforto e qualidade de vida aos seus moradores mais veteranos. Em entrevista, a diretora Samantha Pereira detalhou que esse cuidado envolve uma equipe multidisciplinar dedicada, formada por zootecnistas, biólogos e cuidadores, que monitoram diariamente cada animal.
Check-ups anuais e monitoramento contínuo
Anualmente, todos os animais do zoológico passam por uma bateria completa de exames, incluindo análises de sangue, pesagem, ultrassom e radiografias, para diagnosticar precocemente possíveis doenças. Para os idosos, esse acompanhamento é ainda mais rigoroso. "A partir desses check-ups, podemos identificar se um animal precisa de vitaminas extras, medicamentos específicos, ou se apresenta problemas renais ou cardíacos", explicou Samantha. Um exemplo recente foi um lobo-guará macho, de 16 anos, que faleceu em fevereiro após complicações de saúde detectadas nos exames de rotina. O animal, que chegou a Bauru em 2013 após um resgate, desempenhou um papel crucial na preservação da fauna brasileira, gerando cinco filhotes sob cuidados humanos.
Cuidados individualizados e adaptações criativas
O tratamento é personalizado, considerando as necessidades específicas de cada animal, pois o envelhecimento varia entre indivíduos, assim como nos humanos. "Quando o animal atinge uma certa idade, entram cuidados mais específicos, com uma observação mais atenta ao comportamento", destacou a diretora. Entre os exemplos, estão três macacos-aranha-de-cara-vermelha, com cerca de 26 anos, considerados idosos para a espécie. Um deles, sensível a infecções respiratórias, requer medicamentos e até inalações em casos de mudanças bruscas de temperatura.
Para facilitar a medicação, a equipe recorre à criatividade. Um macaco bugio de 25 anos, com artrose grave e sem dentes, recebe remédios escondidos em ovos cozidos, enquanto um macaco-barrigudo de 18 anos, com insuficiência cardíaca, toma medicamentos duas vezes ao dia, disfarçados em "brigadeiro" em pó. Além disso, o zoológico abriga três fêmeas de macaco-pata, uma espécie rara no Brasil, com uma delas tendo 26 anos e apresentando mobilidade reduzida, mas sem necessidade de medicamentos.
Expansão dos cuidados para outras espécies
A diretora ressaltou que outros animais também começam a mostrar sinais de envelhecimento. "Nós temos uma onça-pintada que está atingindo o quadro de idoso, com mobilidade reduzida, e um canguru que passou por extrações dentárias devido a infecções", comentou. Com um plantel composto por 700 animais de 170 espécies, incluindo 14 nascimentos em 2024 de espécies em extinção, o Zoológico de Bauru mantém um compromisso firme com a preservação. Através de acompanhamento constante, adaptações nutricionais e atenção redobrada, a equipe busca garantir que cada animal envelheça com dignidade, conforto e uma vida de qualidade, reforçando seu papel como um dos principais centros de conservação do país.



