Parque Nacional do Iguaçu celebra recorde de nascimentos de onça-pintada em 2025
O Parque Nacional do Iguaçu, localizado no oeste do Paraná e famoso por abrigar as Cataratas do Iguaçu, registrou um marco histórico para a conservação da fauna brasileira. Em 2025, foram identificados dez filhotes de onça-pintada dentro da unidade de conservação, o maior número já observado desde o início do monitoramento da espécie na região. Este levantamento, conduzido pelo Projeto Onças do Iguaçu, também contabilizou a presença de 42 onças-pintadas no total, incluindo adultos e filhotes, reforçando a importância do parque como um refúgio crucial para este felino ameaçado.
Desafios para a sobrevivência dos filhotes
Apesar do recorde de nascimentos, a pesquisadora Vânia Foster, integrante do projeto, emite um alerta cauteloso. Ela explica que nem todos os filhotes têm garantia de chegar à fase adulta, pois a sobrevivência depende de múltiplos fatores críticos. "Essa fase é uma das mais delicadas, com uma parcela significativa dos filhotes não atingindo a idade adulta devido a ataques de predadores, disputas territoriais com onças adultas, escassez de presas e, principalmente, impactos de atividades humanas", destaca Foster. Entre as ameaças antropogênicas, ela cita desmatamento, caça ilegal de presas e atropelamentos em rodovias próximas, que colocam em risco a população já vulnerável.
Foster ressalta que, embora faltem estudos específicos sobre a taxa de mortalidade de filhotes de onça-pintada no Brasil, dados de espécies similares, como leopardos na Índia, indicam que cerca de 40% dos filhotes não sobrevivem até a independência aos dois anos de idade. Isso ilustra a fragilidade dos primeiros anos de vida desses grandes felinos e a necessidade de esforços contínuos de preservação.
Metodologia de monitoramento e restrições temporárias
Os dados foram coletados por meio de armadilhas fotográficas instaladas estrategicamente no parque, que registraram 646 aparições independentes de onças-pintadas ao longo de 2025. Entre os animais identificados, estão 32 adultos (14 fêmeas e 17 machos) e os dez filhotes. Para os pesquisadores, o número elevado de nascimentos é um indicativo positivo de que a população está se reproduzindo ativamente dentro do parque, considerado um dos principais santuários da onça-pintada na Mata Atlântica.
Em 2026, o Projeto Onças do Iguaçu está realizando o censo populacional bianual de grandes felinos, incluindo onça-pintada e jaguatirica. Esta pesquisa motivou restrições temporárias em algumas trilhas do parque até 22 de junho, como parte das atividades de conservação. No Polo Cataratas, em Foz do Iguaçu, a Trilha da Canafístula está fechada, enquanto um trecho do Caminho do Poço Preto tem acesso parcialmente limitado. A administração do parque garante que áreas mais visitadas, como a Trilha das Cataratas e mirantes, permanecem abertas normalmente, sem impacto nas experiências turísticas.
Comportamento das espécies e situação de conservação
As imagens capturadas pelas câmeras também revelaram padrões comportamentais interessantes. A onça-pintada apresenta um pico de atividade noturna, especialmente por volta das 21h, enquanto a onça-parda tende a ser mais ativa no início da manhã e no começo da noite. Esta divisão temporal reduz a competição direta entre as espécies, facilitando a coexistência no mesmo habitat.
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e está criticamente ameaçada de extinção na Mata Atlântica. Segundo o Painel de Especialistas em Conservação da Natureza, restam menos de 300 indivíduos no Brasil, com cerca de 25 habitando o Parque Nacional do Iguaçu. O nascimento de filhotes é visto como um sinal promissor de recuperação, mas os pesquisadores enfatizam que a população ainda enfrenta desafios significativos, como perda de presas em áreas adjacentes, doenças transmitidas por animais domésticos e riscos de atropelamentos. O monitoramento contínuo é essencial para avaliar o crescimento da espécie e orientar estratégias de conservação na tríplice fronteira.



