Superpopulação de quatis em áreas urbanas de Piracicaba gera alerta sanitário e ambiental
A crescente presença de quatis nas zonas urbanas de Piracicaba, no interior de São Paulo, tem despertado preocupação significativa entre autoridades municipais e especialistas em fauna silvestre. A prefeitura local confirmou que está avaliando medidas de manejo e controle para enfrentar o que classificam como uma superpopulação desses mamíferos no município.
Riscos à população humana e transmissão de doenças
Segundo o zoólogo Alexandre Percequillo, especialista em mamíferos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), os quatis representam um perigo real para os moradores. "Eles possuem dentes extremamente aguçados, afiados e fortes, capazes de causar mordidas graves", alerta o pesquisador, que também integra o projeto Corredor Caipira.
Percequillo enfatiza que animais famintos podem se tornar agressivos e atacar tanto crianças quanto adultos. Além disso, o especialista destaca um risco sanitário preocupante: a circulação do vírus da raiva. O compartilhamento de alimentos entre quatis, gatos domésticos abandonados e outros mamíferos silvestres como gambás, raposas e saguis cria um ambiente propício para a transmissão horizontal da doença.
Fatores que contribuem para a superpopulação
O problema tem sido agravado por práticas humanas inadequadas:
- Descarte irregular de lixo em áreas públicas
- Alimentação intencional dos animais por moradores e visitantes
- Falta de vedação adequada em lixeiras residenciais
Com acesso facilitado a restos de comida, os quatis abandonam seus hábitos naturais de forrageamento e passam a depender cada vez mais das áreas urbanas, onde encontram alimento com facilidade.
Desequilíbrio ambiental e características comportamentais
Alexandre Percequillo explica que os quatis são animais generalistas que se alimentam de diversas espécies, incluindo:
- Pequenos mamíferos
- Anfíbios de menor porte
- Répteis de pequeno tamanho
Essa dieta variada, combinada com sua superpopulação, pode levar a uma redução significativa nas populações de outras espécies, causando um desequilíbrio ambiental preocupante. O zoólogo ainda ressalta que os quatis são animais sociais que formam grandes grupos compostos principalmente por fêmeas adultas e jovens, enquanto os machos adultos tendem a ser solitários e mais agressivos.
Aumento populacional documentado e medidas municipais
O especialista confirma que houve um crescimento expressivo na população de quatis em Piracicaba nas últimas duas décadas. "Quando cheguei à cidade, há 20 anos, avistar um quati na estrada do Monte Alegre era um acontecimento raro. Hoje, eles estão presentes em praticamente todos os locais", compara Percequillo.
A prefeitura municipal informou que monitora continuamente a presença desses animais e busca alternativas que garantam tanto o equilíbrio ambiental quanto o bem-estar animal. As autoridades destacam que a proximidade entre pessoas e animais silvestres aumenta os riscos de transmissão de doenças e expõe os próprios quatis a condições inadequadas fora de seu habitat natural.
Orientações para a população
O zoólogo Alexandre Percequillo oferece recomendações claras aos moradores de Piracicaba:
- Mantenha distância segura dos quatis, mesmo que pareçam mansos
- Nunca alimente os animais silvestres intencionalmente
- Mantenha lixeiras bem vedadas para evitar acesso a restos de comida
- Não tente afugentar ou atacar os animais
"Quando os quatis se habituam a receber comida em determinado local, passam a considerar aquela área como fonte regular de alimento, podendo eventualmente invadir residências em busca de mais comida", explica o especialista.
A prefeitura reforça que medidas de manejo e controle serão implementadas conforme a necessidade comprovada, sempre priorizando a segurança da população e a preservação do equilíbrio ambiental na região.



