Projeto de reintrodução salva periquito-cara-suja da extinção no Brasil
Projeto salva periquito-cara-suja da extinção no Brasil

Projeto de reintrodução salva periquito-cara-suja da extinção no Brasil

O periquito-cara-suja, conhecido cientificamente como Pyrrhura griseipectus, é uma ave que se tornou símbolo do estado do Ceará. No passado, a espécie enfrentou uma grave ameaça de extinção devido à devastação das matas úmidas para o plantio de café, que reduziu drasticamente seu habitat natural. Essa situação crítica levou o periquito-cara-suja ao topo da lista de animais ameaçados no Brasil, com estimativas alarmantes no início dos anos 2000 indicando que restavam apenas cerca de 200 indivíduos na natureza.

União de esforços para salvar a espécie

Para reverter esse cenário preocupante, a ONG Aquasis iniciou um trabalho abrangente de repovoamento, focando na reintrodução das aves em locais estratégicos como a Serra da Aratanha e a Serra das Almas. Além das ações diretas em campo, o projeto conta com o apoio técnico especializado do Parque das Aves, localizado em Foz do Iguaçu, no Paraná. Essa parceria tem sido fundamental para o sucesso do programa de conservação.

Somente no início de 2026, a equipe de Neonatologia do parque paranaense registrou um marco significativo: o nascimento de 14 filhotes de periquito-cara-suja em cativeiro. Este número representa um avanço importante para a preservação da espécie, demonstrando a eficácia das estratégias de reprodução sob cuidados humanos.

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Estratégia de reprodução em cativeiro

A bióloga Bianca Fernandes, coordenadora de manejo do Parque das Aves, explica que a instituição atua na reprodução das aves para manter uma população de segurança. Esta população tem como objetivo contribuir, no futuro, para ações de reforço populacional nas áreas naturais onde a espécie originalmente habitava. A reprodução em cativeiro é uma estratégia vital para garantir a variabilidade genética da espécie e evitar sua extinção completa.

Em 2023, os dois primeiros filhotes nascidos no Paraná foram enviados ao Ceará e soltos na Serra da Aratanha, marcando um passo importante no processo de reintrodução. Como a espécie integra um acordo entre a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e o ICMBio, o destino de cada filhote é planejado com rigor técnico e científico.

Distribuição planejada e emoção no campo

Bianca Fernandes destaca que alguns indivíduos permanecerão no Parque das Aves, outros serão destinados a instituições parceiras para formação da população de segurança, e outros poderão ser enviados ao Projeto Cara-Suja, no Ceará. Esta distribuição estratégica maximiza as chances de sucesso do programa de conservação.

Em 2024, a bióloga teve a oportunidade de acompanhar o censo anual da espécie no Ceará, onde pôde avistar, em vida livre, as aves que ajudou a criar no Paraná. "Trabalhar na criação desses filhotes exige um cuidado enorme. Estar no campo e conseguir avistar um dos indivíduos que eu mesma ajudei a criar foi emocionante. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas. É o resultado de um trabalho coletivo feito com muito cuidado", confessou a bióloga, emocionada com a experiência.

Resultados concretos e esperança renovada

Os esforços conjuntos têm gerado resultados concretos e mensuráveis. Dados da Aquasis revelam que, em 2025, 800 filhotes de periquito-cara-suja voaram a partir de 187 ninhos monitorados nas Serras de Baturité e de Aratanha. Este sucesso na reprodução, tanto sob cuidados humanos quanto em ambiente natural, prova que a cooperação entre instituições é a chave para retirar a espécie da zona de perigo de extinção.

O projeto demonstra como a união de esforços entre organizações não governamentais, instituições de pesquisa e órgãos públicos pode reverter situações críticas de conservação. A história do periquito-cara-suja serve como um exemplo inspirador de como é possível salvar espécies da extinção através de trabalho dedicado, planejamento científico e comprometimento com a preservação da biodiversidade brasileira.

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