Pretinha, amiga inseparável de Orelha, morre de doença renal em Florianópolis
A cadela Pretinha, conhecida por ser a grande amiga do cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, faleceu na noite de segunda-feira, dia 9. A causa da morte foi uma doença renal crônica, conforme informou a veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava de perto o estado de saúde do animal.
Internação e luta pela vida
Pretinha havia sido internada no final de janeiro, menos de um mês após Orelha ser brutalmente agredido na cabeça e morrer devido aos ferimentos, no início do mesmo mês. A cadela, que havia sido adotada pela comunidade, enfrentou um quadro grave de insuficiência renal crônica.
"Ela lutou bravamente, fez sessões de hemodiálise e estava em terapia semi intensiva", explicou a veterinária Fernanda Oliveira, destacando os esforços médicos para salvar a vida de Pretinha.
Uma amizade que virou símbolo na Praia Brava
No bairro da Praia Brava, existem três casinhas de cachorro que abrigavam os animais considerados mascotes da região. Orelha costumava ocupar a casinha do meio, enquanto Pretinha ficava na da direita, lado a lado, simbolizando uma amizade profunda entre os dois.
A veterinária conta que a mãe de Pretinha, conhecida como 'Preta mãe', foi quem trouxe Orelha para a comunidade. Após a morte do antigo companheiro de 'Preta mãe', Orelha assumiu esse lugar, tornando-se tão próximo quanto o anterior. Com o falecimento da 'Preta mãe', Orelha passou a ser o chefe da matilha e começou a cuidar de Pretinha e de sua irmã, a Preta.
"Recentemente, Pretinha havia se tornado a 'protegida' de Orelha. Ele passou a cuidar da amiga após a morte da mãe dela", relatou Fernanda Oliveira, emocionada.
Contexto trágico: a morte de Orelha
A morte de Pretinha ocorre em um contexto marcado pela tragédia. Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, e encontrado ferido por moradores. Levado a uma clínica veterinária, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia 5 de janeiro.
Exames periciais indicaram que o cão foi atingido na cabeça com um objeto contundente. A Polícia Civil apontou um adolescente como responsável pelas agressões e pediu pela internação do suspeito. O caso gerou comoção nacional e investigações sobre a conduta de autoridades envolvidas.
Um reencontro simbólico
Para a veterinária Fernanda Oliveira, a morte de Pretinha traz um consolo simbólico diante da dor da perda. "Foi reencontrar seu melhor amigo. É o que nos acalenta", disse ela, referindo-se à crença de que Pretinha e Orelha estão agora juntos novamente.
A história desses dois cães comunitários tocou profundamente os moradores da Praia Brava e além, destacando a importância do cuidado com os animais e a força dos vínculos afetivos que eles criam, mesmo em condições de vida comunitária.
