Sinalização protege áreas de desova de tartarugas no Pará para combater crime ambiental
Placas protegem desova de tartarugas no Pará contra crime ambiental

Sinalização reforça proteção a tartarugas em áreas de desova no oeste do Pará

A região do Tapará, localizada no município de Santarém, no oeste do estado do Pará, recebeu recentemente novas placas de sinalização com o objetivo de fortalecer a proteção aos quelônios durante o período de reprodução. Esta importante iniciativa integra as ações do projeto "Quelônios nas Águas" e tem como principal finalidade alertar moradores e visitantes sobre a proibição absoluta da captura dos animais e da retirada de ovos das praias.

Lei ambiental é clara sobre proteção da fauna silvestre

As placas instaladas destacam de maneira evidente que a prática de capturar ou remover ovos configura crime ambiental, conforme estabelecido pela legislação vigente no país. Claudio Santarém, chefe de fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), explicou com precisão que a norma é bastante explícita quanto à proteção da fauna silvestre.

"A lei de crimes ambientais proíbe categoricamente capturar, matar, comercializar e transportar animais da fauna silvestre, o que inclui os quelônios e seus ovos", afirmou o representante da Semma.

Sinalização como instrumento de visibilidade e inibição

João Mário dos Santos, coordenador do projeto "Quelônios nas Águas", ressaltou que a sinalização também contribui significativamente para dar maior visibilidade às áreas que são monitoradas pela comunidade local. Segundo sua avaliação, além de identificar claramente o projeto, as placas funcionam como um instrumento eficaz de inibição a possíveis infratores que, em diversas ocasiões, não colaboram com as ações de preservação ambiental.

"Elas ajudam a identificar melhor o projeto e a inibir quem insiste em desrespeitar as normas de proteção", destacou o coordenador.

Período de desova e importância do manejo comunitário

A desova dos quelônios ocorre tradicionalmente durante o verão amazônico, que corresponde ao período de vazante dos rios, quando as fêmeas sobem às praias para depositar cuidadosamente seus ovos. O manejo comunitário e o monitoramento constante dos ninhos são considerados fundamentais pelos especialistas para ampliar as chances de sobrevivência dos filhotes.

Preservação das áreas de nidificação é decisiva

O biólogo Esrom Paixão explicou com detalhes que a preservação das áreas de nidificação é absolutamente decisiva para a continuidade das espécies de quelônios na região.

"Elas retornam ao local exato onde nasceram. Mantendo essa área protegida, aumenta-se consideravelmente a chance de conseguirem fazer a postura e garantir a continuidade da espécie naquela região", explicou o especialista.

Ele também chamou atenção para a alta taxa de predação que afeta os filhotes. Segundo suas observações, por serem extremamente pequenos, os recém-nascidos tornam-se presas fáceis para aves e outros animais predadores.

"Uma tartaruga da Amazônia pode colocar entre 80 e 100 ovos apenas para garantir que ao menos um sobreviva até a idade adulta", observou o biólogo.

Fiscalização intensificada e educação ambiental

Além da instalação estratégica das placas de sinalização, os órgãos ambientais estão intensificando significativamente a fiscalização durante todo o período de desova e promovendo ações contínuas de educação ambiental nas comunidades ribeirinhas. Claudio Santarém destacou que o foco principal é ampliar a conscientização, especialmente nas escolas locais.

"O objetivo central é orientar e prevenir, levando informação de qualidade para as populações que vivem próximas às áreas de reprodução", afirmou o chefe de fiscalização.

Projeto comunitário com mais de uma década de atuação

Fundado em 2010 por iniciativa de moradores da comunidade local, o projeto "Quelônios nas Águas" tem mobilizado voluntários ao longo dos anos para proteger os ninhos e acompanhar cuidadosamente o desenvolvimento dos filhotes. De acordo com o coordenador João Mário dos Santos, a juventude também passou a integrar ativamente as atividades como monitores ambientais.

"Nós nos preocupamos especialmente com as técnicas do projeto e envolvemos os jovens nesse trabalho de preservação", disse o coordenador.

Soltura de filhotes simboliza esforço coletivo

Para este ano de 2024, está prevista a soltura de aproximadamente 1.500 filhotes de tartarugas e tracajás que foram produzidos na comunidade. A ação simbólica deve ocorrer durante o mês de abril e representa claramente o resultado do esforço coletivo para manter vivas as espécies que fazem parte essencial do equilíbrio ecológico da região amazônica.