Pescadores retomam atividades no Rio Piracicaba após quatro meses de Piracema
Com o término do período da Piracema, pescadores voltaram a aproveitar as águas do Rio Piracicaba no último domingo (1º), data que marca o início de uma nova fase para quem vive da pesca ou tem na atividade uma forma de lazer. Após quatro meses de proibição total, a expectativa entre os entusiastas da pesca era palpável ao longo das margens do rio.
O que é a Piracema e por que é importante?
A Piracema corresponde ao período de reprodução dos peixes, quando ocorre a migração dos animais rio acima para a desova. Este ciclo vital, que se estende de novembro a fevereiro, tem a pesca proibida por lei para garantir a reprodução das espécies e o equilíbrio ambiental. A preservação durante esses meses é crucial para manter a biodiversidade aquática e sustentar a atividade pesqueira ao longo do ano.
Pescadores que frequentam a região da Rua do Porto não esconderam a ansiedade pelo retorno às águas. "Já estava marcada essa pesca desde o final de semana passado. Ontem para dormir deu trabalho e hoje bem cedo eu já estava de pé", relatou o caseiro João Victor Barbosa, que aguardava com expectativa o momento de retomar sua atividade predileta.
Fiscalização intensa e números expressivos
De acordo com dados da Polícia Ambiental, mais de 2 mil apreensões foram realizadas na região entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Durante a operação de preservação:
- Mais de 700 pescadores foram abordados
- Aproximadamente 2 mil equipamentos de pesca foram apreendidos
- Uma pessoa foi presa em flagrante
- Mais de 200 embarcações foram fiscalizadas, com três apreendidas
- 419 kg de pescados irregulares foram interceptados
- 1.751 metros de redes de pesca foram confiscados
"Teve mais de 700 pescadores abordados. Tivemos também aproximadamente 2 mil equipamentos apreendidos, uma pessoa presa", afirmou o sargento João Paulo Dezidério, da Polícia Ambiental, destacando a intensidade das operações durante o período proibitivo.
Contexto ambiental preocupante
A expectativa para este período de retomada é ainda maior por se tratar da segunda Piracema após o grave episódio de mortandade de peixes registrado no Rio Piracicaba em julho de 2024. Na ocasião, mais de 230 mil peixes (cerca de 50 toneladas) morreram devido a problemas na qualidade da água causados por dejetos irregulares.
O desastre ambiental se estendeu por um trecho de 70 km do rio, segundo relatório da Cetesb, acendendo alertas sobre a importância da preservação e fiscalização rigorosa. Este contexto reforçou a necessidade de operações intensivas durante a Piracema para garantir a proteção do corpo d'água e das espécies que o habitam.
O que muda com o fim da Piracema?
Embora o término do período reprodutivo traga alívio aos pescadores, não significa que qualquer tipo e intensidade de pesca estão liberados. De acordo com o comandante da Polícia Ambiental da região de Piracicaba, André Manuel, a prática se torna menos restritiva em relação ao pescado nativo, mas diversas limitações permanecem em vigor.
Mesmo fora da Piracema, é proibido pescar em:
- Locais de confluência de rios
- Trechos de corredeiras
- Áreas próximas a efluentes do Rio Piracicaba
- Barragens (dentro de 1.500 metros de distância)
- Corredeiras (menos de 200 metros)
"A instrução normativa do Ibama número 26 é para o período fora da Piracema. Os petrechos que são proibidos permanecem. Se a pessoa for encontrada nesses locais, arcará com as consequências da infração realizada", completou o sargento Dezidério.
Multas mais severas e fiscalização contínua
O valor das multas para infrações ambientais aumentou significativamente, saltando de R$ 73.067,98 para R$ 118.392,68. Apesar deste incremento nas penalidades, as práticas irregulares seguiram intensas durante os últimos quatro meses, exigindo ação constante das autoridades.
As autoridades ambientais reforçam que a pesca e o lazer devem ser realizados pela população de forma consciente, respeitando rigorosamente as normas estabelecidas pela Polícia Ambiental e outros órgãos competentes. O objetivo principal continua sendo a preservação dos peixes nativos do Rio Piracicaba e a manutenção do equilíbrio ecológico deste importante manancial.
Gian Carlos Machado, guia de pesca experiente na região, compartilhou seu entusiasmo: "A expectativa está grande, o pescador nesses últimos meses começa a ter abstinência, não vê a hora de chegar o dia 1º para poder ir para a água e pescar. O nosso rio é muito famoso, muito conhecido, então vem muita gente da região pescar no Rio Piracicaba".



