Ossada de baleia-sei de 16 metros é resgatada no Amapá para estudos científicos
Entre os dias 10 e 13 de junho, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) realizou uma operação especializada para resgatar os ossos de uma baleia-sei de aproximadamente 16 metros de comprimento. O animal havia encalhado na Ilha das Pacas, localizada no município de Chaves, no estado do Pará, em novembro de 2025.
Operação complexa em condições adversas
A ação faz parte do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC), coordenado pelo Iepa, e contou com o apoio fundamental do barqueiro Alcindo Farias, conhecido como Chinoá, e do especialista em osteomontagem Antônio Carlos Amâncio. A mesma equipe já havia trabalhado anteriormente na montagem de uma baleia-jubarte encontrada no Bailique em 2018, que está exposta no Museu Sacaca.
"A gente conseguiu tirar o animal de um buraco muito complicado, uma situação difícil com muita chuva, muita lama", relatou Antônio Carlos Amâncio, destacando os desafios enfrentados durante o resgate.
Identificação correta e importância científica
Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que se tratava de uma baleia-fin, mas após minuciosa análise óssea, foi confirmado que o animal era uma baleia-sei. A coordenadora do PCMC, Claudia Funi, enfatizou a relevância científica desta descoberta.
"Esses ossos servem de estudos para maior conhecimento da espécie. Qualquer pessoa pode acessá-los e realizar pesquisas. Isso enriquece o acervo científico do estado", afirmou Claudia, explicando que os ossos serão encaminhados ao acervo do Iepa em Macapá.
Contexto do encalhe e logística do resgate
Moradores da Ilha das Pacas encontraram a baleia-sei no início de novembro de 2025. Segundo relatos, o animal encalhou ainda vivo e tentou, sem sucesso, retornar ao mar. A região é conhecida por ser lamacenta e de difícil acesso, o que complicou ainda mais a operação.
Foram necessárias duas embarcações para transportar a baleia até um local seguro onde foi realizado o enterro temporário, aguardando o momento apropriado para o resgate dos ossos.
Ampliação do projeto de monitoramento
Claudia Funi detalhou que o projeto atende toda a região costeira norte e parte da Foz do Rio Amazonas. "De Macapá conseguimos acessar de forma mais rápida e segura as ilhas da Foz do Amazonas. Por isso, o projeto considera limites físicos e naturais, e não apenas jurisdicionais", explicou.
O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) é coordenado pelo Iepa desde 2024 e foi criado por exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) durante o licenciamento ambiental da pesquisa marítima da empresa TGS nas bacias do Pará-Maranhão e Foz do Amazonas.
As ações do projeto incluem:
- Monitoramento de praias para atender casos de encalhe de baleias, botos e golfinhos
- Atividades de educação ambiental em comunidades locais
- Disponibilização de contatos para acionamento em situações de encalhe de animais marinhos
Este resgate representa mais uma contribuição significativa para o acervo científico do Amapá e para o conhecimento sobre as espécies de cetáceos que habitam as águas da região norte do Brasil.



