Onça-pintada Luna, símbolo de longevidade e resgate, morre aos 25 anos em Limeira
A onça-pintada Luna, que vivia no Zoológico Municipal de Limeira, no interior de São Paulo, faleceu na manhã deste domingo (15) aos 25 anos de idade. Segundo a prefeitura local, a morte ocorreu por causas naturais, encerrando a trajetória do felino considerado a fêmea da espécie mais longeva do Brasil em cativeiro.
Uma vida que superou expectativas
Luna foi encontrada sem vida pelo médico-veterinário do zoo, Glauber Luiz Puzone, por volta das 7h50, durante o monitoramento diário de rotina. "Hoje, amanheceu mais triste. Luna permanecerá viva na memória de todos que acompanharam sua trajetória", declarou a secretária de Proteção Animal, Juliana Kopcznynski.
De acordo com especialistas em fauna silvestre, a onça-pintada figurava entre os indivíduos mais longevos da espécie no país, superando amplamente a expectativa de vida na natureza, que varia entre 15 e 16 anos. Considerando a estimativa de dois anos de idade no momento do resgate e sua chegada ao zoológico em 27 de abril de 2002, Luna alcançou aproximadamente 25 anos de vida.
Do tráfico ao refúgio seguro
A história de Luna começou em 2002, quando foi resgatada em Manaus (AM) após uma denúncia de tráfico de animais silvestres. "Ela seria levada para fora do país. Após o resgate, o Ibama encaminhou a onça para o Zoológico de Limeira, onde passou a viver em ambiente controlado e sob acompanhamento técnico permanente", detalhou a administração municipal.
No zoo, Luna encontrou não apenas segurança, mas também formou uma família. Ela vivia em companhia do filho, Negão, de 18 anos, nascido no local em 8 de outubro de 2007, fruto do acasalamento com um macho de pelagem preta. "Negão apresenta coloração predominantemente preta, característica herdada do pai. Ambos mantinham convivência estável, com interação social compatível com a espécie", descreveram os profissionais do zoo.
Cuidados especializados e dieta balanceada
A prefeitura ressaltou que Luna recebeu acompanhamento contínuo de veterinários, biólogos e tratadores, seguindo protocolos específicos para a fase senil. "Ela respondia adequadamente aos tratamentos e mantinha qualidade de vida compatível com sua idade, beneficiando-se de dieta balanceada, enriquecimento ambiental e rotina monitorada", analisou a gestão.
A alimentação da onça era estritamente carnívora, com ingestão média de dois quilos de carne por dia, composta por:
- Carnes de frango
- Pernil suíno
- Coração bovino
- Cortes de carne vermelha
Essa dieta atendia às exigências nutricionais da espécie e contribuía para sua saúde e longevidade.
Celebrações e legado
Em 30 de abril de 2025, os 25 anos de Luna foram celebrados com atividades de enriquecimento ambiental que incluíam estímulos sensoriais e desafios para incentivar comportamentos naturais. A onça também ganhou destaque em momentos como receber sorvetes de carne para aliviar o calor, demonstrando o carinho e dedicação da equipe do zoológico.
A morte de Luna deixa um vazio no Zoológico Municipal de Limeira, mas seu legado como símbolo de resgate, cuidado e superação permanecerá. Sua história continua a inspirar ações de proteção animal e conscientização sobre os males do tráfico de espécies silvestres, marcando gerações de visitantes e profissionais que tiveram o privilégio de conviver com essa extraordinária onça-pintada.
