Onça-parda ronda comunidade rural em MG e devora animais domésticos durante noites
Onça-parda ronda comunidade rural em MG e devora animais

Onça-parda ronda comunidade rural em Minas Gerais e devora animais domésticos durante as noites

Há cinco dias, uma onça-parda tem passado as noites no povoado de São José do Barroso, localizado na zona rural de Iraí de Minas, no Alto Paranaíba. Câmeras de monitoramento da região já registraram algumas das passagens do animal, que já devorou galinhas e cachorros no local. A situação foi descoberta pelo poder público por meio de redes sociais logo no primeiro dia de aparecimento.

Resposta das autoridades e dificuldades na captura

Imediatamente após a descoberta, a Prefeitura acionou a Polícia Militar de Meio Ambiente (PMMA). De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Bruno Magalhães, a onça já atacou animais na madrugada de quinta-feira (12), quando comeu um cachorro da região. A PMMA planeja para o fim de semana uma nova verificação do local onde o felino aparece.

A dificuldade em capturar a onça está no fato de ela ter hábitos noturnos e a corporação não possuir armadilhas adequadas para a captura. Além disso, se a área pertencer ao habitat natural da onça, o ideal é esperar que ela deixe o local por vontade própria, já que retirá-la de seus habitats se enquadra em crime ambiental. A PMMA acompanha a situação junto da comunidade e tem orientado os moradores sobre o caso.

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Especialistas explicam causas da aproximação de felinos

Segundo o médico-veterinário Cláudio Yudi Kanayama, responsável pelo setor de animais silvestres do hospital veterinário da Uniube (HVU), a presença de grandes felinos em áreas urbanas ou próximas das cidades não é um fenômeno isolado. Ele explica que isso costuma estar relacionada a mudanças no ambiente natural.

A fragmentação do habitat causada pelo avanço das atividades agropecuárias e pelo desmatamento reduz as áreas de vegetação nativa do Cerrado, obrigando animais como a onça-parda a percorrer grandes distâncias em busca de território e alimento. A diminuição das presas naturais, como antas, queixadas, pacas, cutias e capivaras, também contribui para que esses felinos se aproximem de propriedades rurais e áreas periurbanas, onde passam a atacar animais domésticos ou de criação, que se tornam presas mais fáceis.

Outro fator apontado pelo especialista é a busca por água, já que represas de fazendas e bebedouros de gado acabam coincidindo com áreas de presença humana, aumentando a chance de encontros entre pessoas, animais domésticos e os felinos.

Orientações do Ibama para casos de avistamento

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) orienta que, em caso de avistamento de grandes felinos, a população comunique imediatamente as autoridades ambientais locais. Alguns protocolos de conduta devem ser seguidos:

  1. Visualização à distância/sem risco imediato: Mantenha distância (mínimo de 100 m, se possível), não corra, não se aproxime para fotografar ou filmar, estimule outras pessoas a se afastarem calmamente, não fique de costas para o animal e tente fazer bastante barulho.
  2. Encontro próximo (menos do que 30 metros): Mantenha-se calmo, não corra, fique em pé, mostre-se grande e faça barulhos firmes, recolha crianças pequenas ao colo, agrupe pessoas, afaste lentamente sempre de frente para a onça, sem fazer movimentos bruscos.
  3. Encontro próximo com indicação de ataque: Não vire as costas, não corra, toque a buzina, busque amparo em local protegido imediatamente, continue fazendo barulho intenso se não conseguir abrigo imediato, jamais tente enfrentar ou cercar o animal.

Sobre a onça-parda

A onça-parda, também conhecida como leão-baio, suçuarana ou puma, é um felino de médio porte que se destaca pelo corpo esguio, cabeça pequena e pelagem variável ao longo da vida. Carnívora, possui uma gestação de cerca de 90 dias e costuma gerar em média três filhotes por ninhada. Em cativeiro, sua expectativa de vida pode chegar a 20 anos.

O animal é classificado como "vulnerável" pelo Ministério do Meio Ambiente devido à destruição e fragmentação de seu habitat. Isso é especialmente preocupante na Mata Atlântica, onde populações estão se tornando isoladas por áreas de pasto e plantações, o que compromete sua sobrevivência a longo prazo.

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