Mães de pet no AC: rotina de cuidados e afeto com cães transforma vidas
Mães de pet no AC: rotina de cuidados e afeto com cães

Entre latidos, passeios ao fim da tarde e até disputas por espaço no ar-condicionado, a rotina de algumas mulheres em Rio Branco foge do que se convencionou chamar de maternidade tradicional, mas não falta cuidado, afeto ou responsabilidade. Às vésperas do Dia das Mães, celebrado no próximo domingo (10), as histórias das mães de pet mostram como o vínculo com os animais de estimação tem ocupado um lugar cada vez mais central na vida de muitas famílias.

O g1 conversou com três mulheres acreanas que se identificam como mães de pet e compartilham uma rotina marcada por dedicação diária, companheirismo e muitos 'lambeijos'. Entre quem sonha em ter filhos no futuro e quem não pretende viver a maternidade tradicional, todas têm em comum o cuidado constante com seus bichinhos.

Katheryne e Faísca: uma parceria de seis anos

A servidora pública Katheryne Queiroz, de 34 anos, trata Faísca como parte da família. Adotada ainda filhote após um anúncio nas redes sociais, a cadela está com ela há seis anos e transformou completamente a rotina da casa. “Tenho responsabilidades com alimentação, higiene, passeios e saúde. Não consigo imaginar minha vida sem ela”, afirma.

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A organização do dia a dia gira em torno da pet: passeios antes e depois do trabalho, horários definidos para alimentação e até planejamento de viagens. Em uma delas, Katheryne decidiu sair de Rio Branco até Florianópolis com o marido, Luan Silva, de carro, para evitar que Faísca fosse transportada no porão de um avião. “Não tivemos coragem de colocá-la dentro do porão de cargas no avião e, por se tratar de uma cachorra com quase 20 kg, optamos por ir de carro. Foi muito legal, a levamos à praia e foi uma festa”, relembrou.

Faísca também exige cuidados especiais por conta de uma displasia coxofemoral, que demanda acompanhamento frequente com fisioterapeuta e adaptações na rotina. “Ela não sobe escadas, então eu acabo carregando no colo. Acredito que manter os passeios é algo importante para a saúde de qualquer cachorro. Todo tutor de pet responsável deveria pensar no bem-estar do seu animal”, explicou Katheryne.

Apesar do apego por Faísca, ela já ouviu críticas por se considerar mãe de pet. “Já disseram que eu e meu marido precisávamos arrumar um filho e parar de cuidar de cachorro. Independentemente dos motivos, toda mulher merece respeito pelas suas escolhas”, contou.

Camila e Teodoro: companhia em momento de solidão

A cirurgiã-dentista Camila Araújo, de 36 anos, vive uma realidade diferente. Ela não pretende ter filhos, mas encontrou em Teodoro, seu cachorro, uma relação de afeto e companhia. O animal tem 1 ano e seis meses. Camila ganhou o bichinho de presente quando ele tinha apenas 45 dias de vida, em um momento de solidão, e ele rapidamente se tornou seu companheiro.

“Ganhei o Teodoro de presente para se tornar meu companheiro, e hoje é literalmente isso. Até ir ao banheiro é uma tarefa difícil, pois ele fica na porta reclamando até eu abrir. Eu precisava dele e ele de mim, pois hoje ele é meu grude”, relatou. A rotina inclui idas semanais ao petshop, atenção com alimentação e cuidados constantes com a saúde.

Camila também já foi alvo de críticas, principalmente por não querer ter filhos. Mesmo assim, ela passou a enxergar a data de forma diferente após a chegada de Teodoro, quando começou a ser chamada de mãe de pet. “A responsabilidade de ter um pet é semelhante à de um filho, envolve cuidados como saber se comeu ou não, se está bebendo água, observar a saúde, além de levar semanalmente ao petshop para banho e manter vacinas e medicações em dia. Já cheguei a ouvir que não seria mulher se não gerasse um filho, perguntaram quem ia cuidar de mim na velhice. Eu simplesmente ignoro”, disse.

Ednah e Nymeria: inseparáveis há seis anos

A estudante Ednah Naua, de 23 anos, divide a rotina com Nymeria, uma cadela que está com ela há seis anos. Presente dos pais, a cachorra se tornou companhia inseparável no dia a dia. “Cuidar de um pet exige dedicação, cuidados com o ambiente e o bem-estar. Tudo isso cria um vínculo muito forte, é um amor que não se mensura”, resumiu.

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A rotina das duas começa cedo, com Nymeria batendo na porta para sair e tomar sol no quintal. No fim do dia, a cadela volta para o quarto para dormir ao lado da dona. Um dos momentos mais marcantes, segundo Ednah, foi quando a cadela deu à luz. “Ela me acordou para que eu estivesse por perto enquanto tinha os filhotes. Ali eu percebi que era o porto seguro dela”, completou.