Fulgêncio, o macaco-prego ex-ladrão, encontra paz e integração em novo habitat em Belém
Um macaco-prego que se tornou uma figura notória em Barcarena, no nordeste do Pará, por protagonizar uma série de furtos inusitados envolvendo ovos, pães e outros alimentos, agora desfruta de um novo lar no Bosque Rodrigues Alves, localizado em Belém. Conhecido carinhosamente como Fulgêncio, o primata foi resgatado pelas autoridades ambientais e atualmente passa por um processo de adaptação que tem sido considerado um exemplo bem-sucedido de reabilitação e educação ambiental.
A história curiosa de furtos que chamou a atenção
A trajetória de Fulgêncio começou nas ruas de Barcarena, especificamente na rua Capitão Tomé Serrão, no centro da cidade. Moradores relataram frequentemente a presença do macaco, que circulava habilmente pelos telhados e aproveitava momentos de ausência humana para descer e realizar seus "furtos". Seus alvos preferidos eram ovos em uma mercearia local, mas sua lista de itens subtraídos incluía também pães, bananas e até açaí, demonstrando uma dieta variada e adaptada ao ambiente urbano.
Resgate e transferência para um ambiente adequado
Essa rotina incomum acabou chamando a atenção da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Barcarena, que decidiu intervir para capturar o animal. Graças a uma parceria estabelecida com o Bosque Rodrigues Alves, em Belém, a equipe técnica entrou em contato para garantir que Fulgêncio pudesse ser transferido para um ambiente mais apropriado e seguro. A chegada do macaco ao bosque ocorreu em um momento considerado oportuno, pois, segundo os profissionais responsáveis, o parque necessitava de mais um indivíduo da espécie para compor um de seus recintos.
Processo de adaptação e integração bem-sucedida
Após um período de aproximação gradual e cuidadosa, Fulgêncio foi oficialmente integrado ao grupo. Ellen Eguchi, diretora do Departamento de Gestão de Áreas Especiais (DGAE) do Bosque, destacou que a adaptação tem sido extremamente positiva. "Ele passou por uma aproximação branda, respeitando o tempo dele e dos outros animais. Hoje podemos afirmar com segurança que ele se adaptou super bem ao grupo", explicou Eguchi.
Atualmente, Fulgêncio compartilha o espaço com outros três macacos-prego – uma fêmea e dois machos que foram castrados. Ele é o único do grupo que não passou pelo procedimento de castração, mas, mesmo assim, a convivência tem se mostrado equilibrada e harmoniosa. "Mesmo tendo vivido próximo das pessoas e desenvolvido hábitos inadequados, ele respondeu muito bem às estratégias de manejo e enriquecimento ambiental. Está integrado e ativo no recinto", enfatizou Ellen Eguchi.
Características da espécie e lições ambientais
O macaco-prego, pertencente ao gênero Sapajus, é uma das espécies de primatas mais conhecidas e estudadas no Brasil, reconhecida principalmente por sua inteligência notável e habilidade em manipular objetos e utilizar ferramentas para obter alimentos. De acordo com especialistas e biólogos, essa capacidade de adaptação, embora impressionante, pode levar esses animais a se aproximarem excessivamente de áreas urbanas, resultando em conflitos e comportamentos inadequados, como os observados em Barcarena, onde passaram a depender de alimentos facilmente acessíveis nas cidades.
A história de Fulgêncio serve como um importante alerta sobre os impactos da urbanização na vida selvagem e destaca a necessidade de programas de reabilitação e educação ambiental. Sua transição bem-sucedida de um ambiente urbano problemático para um habitat natural controlado demonstra que, com os cuidados adequados, é possível reintegrar animais silvestres a ambientes mais apropriados, promovendo tanto o bem-estar animal quanto a conscientização pública.



