Lontra com coloração clara rara é flagrada no Pantanal e concorre a prêmio mundial de fotografia
Uma lontra-neotropical de coloração clara, resultado de uma condição genética rara conhecida como leucismo, foi fotografada enquanto se alimentava de um peixe às margens do rio Aquidauana, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O registro impressionante, realizado em agosto de 2025 pela fotógrafa Daniela Anger, está entre as 24 imagens selecionadas para concorrer ao Nuveen People's Choice Award 2026, prêmio de voto popular do tradicional concurso Wildlife Photographer of the Year, promovido pelo Natural History Museum em Londres.
Um achado científico e visualmente deslumbrante
O animal foi observado sozinho durante um passeio de barco e chamou imediatamente a atenção devido à sua coloração incomum. A pesquisadora Caroline Leuchtenberger, presidente do Projeto Ariranhas e professora do Instituto Federal Farroupilha, explica que a lontra apresenta leucismo, uma condição genética que provoca redução parcial da pigmentação, deixando o animal mais claro, mas sem alterar a cor dos olhos. É importante destacar que o leucismo é diferente do albinismo, onde há ausência total de pigmentação.
Registros desse tipo são considerados extremamente raros, especialmente em populações silvestres, o que torna a imagem não apenas bela, mas também relevante do ponto de vista científico e ambiental. As fotografias foram selecionadas entre mais de 60 mil imagens enviadas por fotógrafos, cientistas e pesquisadores de 113 países e territórios. A votação popular segue aberta até 18 de março de 2026.
Diferenças entre lontras e ariranhas no Pantanal
A imagem também ajudou a despertar curiosidade sobre as espécies e a esclarecer as diferenças entre lontras e ariranhas, animais comuns no Pantanal, mas frequentemente confundidos. Ambos pertencem ao mesmo grupo, mas apresentam distinções marcantes:
- Ariranha (Pteronura brasiliensis): É considerada a maior lontra do mundo, podendo ultrapassar 1,80 metro de comprimento e pesar cerca de 30 kg. Vive em grupos sociais, caça em equipe e possui manchas claras únicas no pescoço para identificação individual.
- Lontra-neotropical (Lontra longicaudis): Geralmente mais solitária, é a espécie fotografada com leucismo. Tem hábitos menos gregários em comparação com as ariranhas.
Caroline Leuchtenberger ressalta que as ariranhas são predadoras de topo dos ambientes aquáticos e se alimentam principalmente de peixes. Por dependerem de água limpa, áreas preservadas e boa oferta de alimento, são consideradas indicadoras da qualidade ambiental. No entanto, a espécie enfrenta ameaças no Pantanal, como secas extremas e queimadas, que preocupam os especialistas.
Fotografia como ferramenta de conservação ambiental
Imagens como a registrada no Rio Aquidauana desempenham um papel crucial em aproximar o público da vida selvagem e despertar interesse pela conservação. "Esses registros chamam atenção para a espécie e podem ser aliados importantes na sensibilização para a preservação dos ambientes naturais", afirma Caroline. A fotografia, portanto, não apenas captura momentos raros, mas também serve como um instrumento poderoso para a educação e proteção da biodiversidade do Pantanal, um dos ecossistemas mais ricos e frágeis do Brasil.
