Jiboia-cinzenta é flagrada 'descansando' em árvore na zona rural de Guareí, SP
A expressão popular brasileira "jiboiar", que se refere ao ato de ficar imóvel após uma refeição, ganhou uma demonstração literal na zona rural de Guareí, interior de São Paulo. Um trabalhador rural registrou uma cena curiosa que ilustra perfeitamente esse comportamento típico de serpentes como jiboias e sucuris.
Registro inusitado no sítio
Joaquim Gilmar Momberg, de 52 anos, flagrou uma jiboia-cinzenta descansando sobre o tronco de uma árvore em sua propriedade rural. O vídeo mostra o animal esticado e praticamente imóvel entre as folhas verdes e galhos da árvore, em um comportamento que os especialistas explicam ser comum após a alimentação.
"Eu gosto de animais, e ela não mexeu com nada. Eu vi que ela estava ali [na árvore], mas falei para deixar onde ela estava. Dorme bastante na árvore", relatou Joaquim ao g1 Itapetininga e Região.
O trabalhador rural contou que a serpente apareceu no dia 6 de março e permaneceu no local até a segunda-feira, 9 de março. Segundo ele, a presença desses animais é constante nas propriedades rurais da região, e a jiboia em questão não representou perigo para animais domésticos ou humanos.
Comportamento pós-alimentação
A bióloga Tatiana Forte Pace explicou que o animal registrado é uma jiboia-cinzenta (Boa constrictor amarali), considerada a segunda maior serpente do Brasil. A especialista detalhou que esse comportamento de permanecer imóvel por longos períodos facilita a digestão das presas.
"É uma serpente não peçonhenta e sua dieta na natureza consiste principalmente de roedores, aves e lagartos, os matando por constrição [asfixia]. É muito hábil em escalada apesar de seu porte e peso", explicou Tatiana.
Joaquim suspeita que a cobra estivesse se alimentando de rolinhas que costumam pousar no topo da árvore. "Ela ficou parada bastante tempo ali em cima", relatou o trabalhador rural, que demonstrou respeito pelo animal: "A gente já está acostumado. Sempre tem. Eu acompanho um biólogo nas redes sociais. Não tenho medo, tenho respeito".
Características da espécie
A jiboia-cinzenta é nativa da América Central e da América do Sul, podendo ser encontrada em biomas como a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica. Quando adulta, atinge grandes dimensões que permitem capturar presas de maior porte.
Conforme a bióloga, a espécie é inofensiva para seres humanos, mas pode atacar caso se sinta ameaçada. O ataque geralmente ocorre por meio de uma mordida que, embora o animal não seja peçonhento, costuma ser forte e dolorosa devido aos dentes serrilhados voltados para trás.
"Há relatos de jiboias atacando e consumindo animais de estimação, como gatos e cachorros. Isso é muito difícil de ocorrer, mas não é impossível", alertou Tatiana, explicando que isso pode acontecer principalmente quando as serpentes buscam alimento em áreas urbanas ou rurais próximas ao seu habitat natural.
Orientações para encontros com jiboias
A biólista ofereceu orientações importantes para quem encontrar uma jiboia em seu habitat natural:
- Mantenha calma e respeite o espaço do animal
- Fique a pelo menos dois metros de distância
- Não tente encostar ou remover o animal
- Tire pets que estejam próximo da serpente
- Evite movimentos bruscos
- Se estiver muito perto, pare e se afaste lentamente
- Não machuque a serpente
"As jiboias são importantíssimas para o nosso ecossistema. Elas, assim como outras serpentes, ajudam principalmente no controle das populações de roedores. Além disso, matar animais silvestres é crime ambiental", completou a especialista.
Curiosidade sobre o comportamento defensivo
Tatiana Forte Pace revelou uma curiosidade interessante sobre o comportamento defensivo das jiboias: "Caso ela tenha acabado de comer, regurgita a presa e foge, porque desta forma fica mais ágil do que com a barriga cheia, o que a deixa mais vulnerável a predadores".
Os vizinhos da propriedade onde a jiboia foi registrada chegaram a visitar o local para observar o animal, demonstrando a curiosidade que esses encontros despertam nas comunidades rurais. A cena serve como um lembrete da rica biodiversidade brasileira e da importância de conviver respeitosamente com a fauna nativa.
