Irmãos realizam sonho ao pescar piraíba gigante de 2 metros no Rio Araguaia
Os irmãos e produtores rurais Jardem Martins Parreira, de 40 anos, e Jadson Martins Parreira, de 38, realizaram um sonho de quase uma década ao pescarem uma impressionante piraíba de aproximadamente 2 metros de comprimento e cerca de 100 kg no Rio Araguaia. A captura ocorreu na região de Luiz Alves, distrito de São Miguel do Araguaia, no norte de Goiás, onde os irmãos praticam pesca esportiva há nove anos.
O gigante das águas brasileiras
A piraíba é reconhecida como o maior peixe de água doce de couro do Brasil, atraindo pescadores esportivos para a parte goiana do Rio Araguaia, onde recentemente têm surgido novos registros de captura desses gigantes aquáticos. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, na fase adulta, este peixe pode alcançar dimensões impressionantes de até 3,6 metros e pesar mais de 200 kg.
Estudos realizados pela Universidade Federal de Goiás (UFG) revelam que a piraíba possui preferência por grandes rios com correnteza, habitando naturalmente partes profundas e poços de grandes cursos d'água. O animal é migratório e pode percorrer distâncias extraordinárias, chegando a viajar até 4 mil quilômetros para encontrar condições ideais para a desova, demonstrando sua importância nos ecossistemas fluviais.
Preservação e regulamentação da espécie
Para garantir a conservação da piraíba, o estado de Goiás implementou uma rigorosa política de "cota zero" para consumo e transporte deste peixe. Por ser uma espécie protegida, a pesca da piraíba é permitida apenas de forma esportiva, exigindo que o animal seja solto imediatamente após a captura.
A norma de preservação estabelece ainda que a pesca, incluindo a modalidade esportiva, torna-se totalmente proibida durante o período da piracema, que ocorre entre 1° de novembro e 28 de fevereiro de cada ano. Esta medida visa proteger os ciclos reprodutivos das espécies aquáticas.
Monitoramento científico e importância econômica
A espécie é monitorada em Goiás principalmente através do programa Araguaia Vivo 2030, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). Este monitoramento é coordenado por pesquisadores da UFG e da PUC Goiás, que utilizam tecnologias inovadoras baseadas em DNA ambiental (eDNA) para identificar a presença das piraíbas nas águas goianas sem necessidade de captura física dos animais.
Rodrigo Viúva, tecnólogo ambiental e guia de pesca de 42 anos, destacou ao g1 a importância multidimensional da preservação: "Como guia, eu dependo diretamente da saúde do rio — se o peixe acaba, acaba também a experiência, o turismo e a renda de muita gente. E como tecnólogo ambiental, eu entendo que ele faz parte de um equilíbrio maior: é uma peça-chave no ecossistema".
Viúva acrescentou: "Quando a gente preserva essa espécie, a gente não tá protegendo só um peixe, mas todo um ciclo de vida, a cultura da pesca e o futuro das próximas gerações".
Segundo a Fapeg, a preservação da piraíba é fundamental para a economia de municípios goianos como Nova Crixás e São Miguel do Araguaia, onde a pesca esportiva movimenta significativamente setores como serviços e hospedagem em pousadas.
Outros registros impressionantes
Além da captura dos irmãos Parreira, outros pescadores têm registrado encontros com estas gigantescas criaturas aquáticas. Em Nova Crixás, o guia turístico Wesley Silva capturou uma piraíba ainda maior, com 2,16 metros de comprimento e aproximadamente 120 kg, em uma região do Rio Araguaia conhecida como "Viúva".
Estes eventos destacam não apenas a grandiosidade da fauna aquática brasileira, mas também a importância do equilíbrio entre atividades esportivas, conservação ambiental e desenvolvimento econômico sustentável nas regiões ribeirinhas de Goiás.



