Filhote de tamanduá é resgatado abraçado à mãe morta após atropelamento em estrada de MG
Filhote de tamanduá resgatado abraçado à mãe morta em MG

Filhote de tamanduá é resgatado abraçado à mãe morta após atropelamento em estrada de MG

Uma cena comovente foi registrada na manhã de sábado (21) em uma estrada da região da Jaguara, em Tiros, no Alto Paranaíba, Minas Gerais. Um filhote de tamanduá-bandeira foi encontrado agarrado ao corpo da mãe, que havia sido atropelada e estava sem vida no meio da pista.

A descoberta foi feita por Marina Alves, de 37 anos, que viajava com o marido. "Eu desci correndo e vi que não era só um tamanduá, tinha o bebê. Comecei a filmar porque achei que estavam mortos e precisava acionar alguém para retirar. Quando olhei melhor, vi que o tamanduá adulto estava sem vida, mas que o bebê se mexia, agarrado às costas da mamãe", relatou Marina, emocionada.

Resgate em condições adversas e acionamento das autoridades

Sem sinal de telefone e internet no local, o casal arrastou os animais para o acostamento, sob uma árvore, e improvisou uma sinalização para alertar outros motoristas. Marina só conseguiu acionar a Polícia Militar de Meio Ambiente quando chegou ao destino, cerca de uma hora e vinte minutos depois do encontro.

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De acordo com os militares, o acionamento ocorreu por volta das 13h. Ao chegar ao ponto indicado, foi confirmado que a fêmea adulta estava morta e que o filhote estava aparentemente saudável. O animal foi recolhido e encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Patos de Minas.

Comportamento do filhote e explicação veterinária

Segundo o médico veterinário Márcio Bandarra, que analisou o animal por meio de imagens, o filhote tem idade estimada entre 6 e 8 meses. Nessa idade, o animal já sobrevive com alimentos sólidos, se alimentando de formigas e cupins, não precisando mais do leite materno.

O veterinário explicou que o comportamento do filhote de permanecer agarrado à mãe mesmo após a morte é comum em casos de atropelamento de animais silvestres. "Infelizmente, muitos filhotes chegam órfãos aos centros de atendimento. Normalmente, eles permanecem agarrados à mãe por um tempo mesmo após a morte, por dependência e busca de segurança e proteção. Além disso, ainda não sabem para onde ir", detalhou Bandarra.

Adaptação e cuidados no centro de reabilitação

Imagens divulgadas na última segunda-feira (23) mostram o tamanduá bem e abraçado a um bicho de pelúcia, utilizado para oferecer conforto durante o processo de adaptação no Cetras. O objeto simula a presença materna e ajuda no bem-estar emocional do animal durante a recuperação.

A espécie tamanduá-bandeira não está em extinção, mas é classificada como vulnerável no Brasil. Segundo o especialista Bandarra, se o cenário atual de atropelamentos e perda de habitat não mudar, a espécie pode entrar em situação crítica em pouco tempo.

Orientações para casos de atropelamento de animais silvestres

Em casos de atropelamento ou encontro de animais silvestres feridos na estrada, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar de Meio Ambiente, responsáveis pelo recolhimento e encaminhamento desses animais. Esta medida:

  • Garante os cuidados veterinários necessários
  • Evita práticas ilegais, já que manter ou adotar animais silvestres é crime previsto na Lei nº 9.605/1998
  • Preserva a possibilidade de reabilitação e reintrodução na natureza
  • Protege o equilíbrio ambiental

O resgate deste filhote de tamanduá-bandeira em Tiros serve como alerta para a importância da preservação da fauna silvestre e da responsabilidade no trânsito, especialmente em regiões próximas a habitats naturais.

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