Ex-enfermeira transforma paixão por animais em missão de vida no Piauí
Sanya Elayne, uma ex-enfermeira que abandonou sua profissão em 2026, dedica-se agora ao resgate e cuidado de aproximadamente 200 cães e gatos no município de Picos, localizado no Sul do Piauí. Sua rotina é compartilhada nas redes sociais, onde ela mostra o dia a dia dedicado a esses animais, muitos dos quais foram salvos de situações de abandono e maus-tratos.
Da enfermagem à proteção animal: uma jornada de compaixão
O interesse de Sanya pela proteção animal surgiu enquanto trabalhava em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), próxima ao setor de zoonoses da cidade. "Lá, quando o animal tinha alguma doença e não tinha tutor, era sacrificado como forma de controle populacional. Eu ouvia o choro deles. Depois, entendi que eles sabiam que iam morrer, e aquilo me tocou profundamente", relatou ela ao g1.
Movida por essa experiência, Sanya começou a alimentar e resgatar cães e gatos por conta própria, levando-os para sua casa. Para custear tratamentos, ração e medicamentos, ela chegou a vender objetos pessoais. Com o aumento no número de resgates, a casa de sua mãe também passou a servir como abrigo temporário.
Fundação da ONG e desafios da rotina
Em 2015, percebendo que não conseguiria seguir sozinha, Sanya uniu-se a outros protetores com propósitos similares e fundou a Amigos Protetores dos Animais em Picos (Apapi). Atualmente, ela preside a organização, que atua no resgate, tratamento e castração de animais, dependendo inteiramente de doações.
"É uma causa que exige persistência, coragem e amor de verdade. Hoje minha rotina é só para isso. Acordo às 4h da manhã para cuidar deles. Alguns são deficientes e dependem totalmente de mim", afirmou Sanya. Diariamente, a equipe prepara cerca de dois quilos de arroz e utiliza pacotes de fígado e carcaças para alimentar tanto os animais abrigados quanto aqueles que vivem nas ruas.
Histórias de resgate e superação
Os resgates podem ser perigosos, pois alguns animais atacam por medo ou dor. Um caso que marcou profundamente Sanya foi o da cadela Belinha, que tinha três meses quando alguém colocou uma bomba em seu focinho. "O resgate foi muito difícil, porque tanto a mãe quanto ela me mordiam bastante", contou. Hoje, com sete anos, Belinha teve o rosto reconstruído com apoio de uma ONG internacional e vive feliz.
Apesar do cansaço e da revolta ao testemunhar crueldades, Sanya enfatiza a recompensa emocional. "É um misto de sentimentos: o cansaço, a revolta ao ver tanta crueldade, mas, acima de tudo, a certeza de que tudo vale a pena. Cada olhar de um animal que encontrou amor, dignidade e cuidado não tem preço", declarou.
O trabalho, embora exaustivo e que a fez abdicar de atividades como viagens, é descrito por ela como o que "dá sentido à vida". A história de Sanya Elayne serve como inspiração para a comunidade local e além, destacando o impacto positivo do voluntariado e da dedicação à causa animal.



