Despedidas de pet em Goiás ganham toque especial com chuva de pétalas e diamante feito das cinzas
Há cerca de três meses, a dona de casa Miriam Brogli, moradora de Goiânia, enfrentou a perda do seu cãozinho Shih Tzu, Gucci, que faleceu aos 14 anos após uma intercorrência em uma clínica veterinária. Diante do luto, ela decidiu proporcionar uma despedida à altura do amor que sentia pelo pet, contratando um serviço de velório especializado, que incluiu uma emocionante chuva de pétalas de rosas.
"Na hora, o choro já foi, assim, de alegria, de satisfação, sabe? De que você tá no lugar certo, fazendo todas as honras para quem você ama", relatou Miriam, destacando o cuidado e o carinho recebidos durante o momento delicado.
Serviços humanizados para o adeus aos pets
Além da cerimônia com chuva de pétalas, a funerária PaxdominiPet, que atendeu Miriam, ofereceu um ambiente reservado com cafezinho e lanches para os tutores, visando conforto e acolhimento. "A menina (da funerária) me dava um lencinho para chorar toda hora, porque eu não parava. Que carinho! Depois você vai para outra sala. E vem chuva de pétalas em cima dele. Uma coisa tão fantástica que te dá aquele alívio no coração", contou a dona de casa.
Gucci foi cremado, e suas cinzas foram colocadas em uma urna de resina com formato de cãozinho, agora integrada à decoração do quarto do filho de Miriam, que era o tutor do animal. Omar Layunta, diretor da PaxdominiPet, explica que a empresa criou um pacote específico para pets há três anos, atendendo a uma demanda crescente do mercado.
"O pet é como se fosse realmente um familiar. É uma questão muito mais particular e íntima, emocional em todos os sentidos", avalia Layunta. O pacote completo custa R$ 1.300 e inclui traslado do corpo, cerimônia de homenagens com discurso personalizado, cremação e entrega das cinzas em urna, acompanhada por chuva de pétalas.
Opções variadas para guardar as cinzas
Para além das cerimônias, os tutores têm diversas alternativas para preservar a memória dos pets. Guilherme Santana, CEO da Pet Vale do Cerrado, detalha que há urnas personalizadas de resina ou biodegradáveis, estas últimas ideais para quem deseja plantar uma árvore em homenagem ao bichinho.
"Você pega aquela urna e enterra no solo. E aí você planta junto aquela árvore, para simbolizar aquela perda. A semente é entregue junto. Tem várias para escolher: ipê, jacarandá...", disse Santana.
Para aqueles com condições financeiras mais amplas, existe a opção de transformar as cinzas do pet em diamante. "A gente pega essas cinzas, envia para Curitiba. Eles fazem o processo e nos entregam. Aí, a gente entrega para a família. Pode ser tanto só o diamante, como pode ser joia também", explicou o CEO.
Tutores que preferem não guardar as cinzas podem optar pela dispersão em jardins do cemitério do Vale do Cerrado, em Goiânia, com filmagem do evento enviada à família. Os preços dos serviços variam de R$ 800 a R$ 2 mil, dependendo do peso do animal, e estão disponíveis para cães, gatos e outras espécies, como cobras e pássaros.
Mudança cultural e aumento da demanda
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019, Goiás era o oitavo estado com maior percentual de domicílios com cachorros (58,2%), acima da média nacional (46,1%). Embora não haja informações mais recentes, profissionais do setor funerário observam um crescimento nos cuidados póstumos com pets, impulsionado por uma transformação cultural.
Guilherme Santana atribui essa tendência ao apego emocional das gerações mais jovens. "O apego aos animais vem muito dessa diferença cultural que os jovens vêm trazendo. A gente tem visto cada dia mais as gerações Y e Z falarem que não vão ter filhos. Por conta disso, muitas vezes essas gerações têm transferido esse afeto para os animais", avalia.
Os serviços descritos estão disponíveis para tutores da Região Metropolitana de Goiânia. É importante ressaltar que, na capital, o descarte irregular de corpos de animais em locais públicos é ilegal, conforme a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Para quem não pode arcar com os custos, a Comurg oferece coleta mediante pagamento de taxas que variam de R$ 150 a R$ 300, dependendo do peso e tipo do animal, com solicitações feitas pelo aplicativo GYN 24h.
A reportagem questionou a Comurg e a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) sobre a destinação dos corpos recolhidos e a legislação local, mas não obteve respostas até o fechamento desta matéria.