Crânio de cachalote resgatado no Bailique integra acervo científico do Iepa no Amapá
Crânio de cachalote do Bailique vai para coleção do Iepa

Crânio de cachalote resgatado no Bailique integra acervo científico do Iepa no Amapá

Um crânio de cachalote, reconhecido como a maior baleia com dentes do planeta, foi resgatado no arquipélago do Bailique e encaminhado ao Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa). O material ósseo, impressionantes 2,20 metros de comprimento, será incorporado à coleção científica do instituto e exposto no Museu Sacaca, localizado na Zona Sul de Macapá, contribuindo significativamente para pesquisas sobre a vida marinha na foz do Rio Amazonas.

Operação de resgate e descoberta

O achado ocorreu no final de fevereiro, próximo à Reserva Biológica do Parazinho, em uma operação que durou aproximadamente cinco horas. A equipe de monitoramento de cetáceos, que atua em diversos pontos da costa amapaense, foi responsável pelo resgate, destacando a importância do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC). Este projeto acompanha encalhes de baleias, botos e golfinhos, realiza registros periódicos em praias e promove ações de educação ambiental em comunidades ribeirinhas.

Processamento e catalogação do crânio

Após o transporte até Macapá, o crânio passou por um processo de limpeza e será catalogado no acervo osteológico do Iepa, uma referência estadual em pesquisas sobre mamíferos aquáticos. A incorporação deste material raro ao museu permitirá estudos detalhados sobre a espécie e seu ecossistema, enriquecendo o conhecimento científico regional.

Raridade dos registros na região

Registros de cachalotes são extremamente raros na área, pois a espécie habita águas profundas e raramente aparece em zonas costeiras. Este achado se soma a outros encalhes notáveis recentes no litoral do Amapá, como:

  • Em outubro de 2025, um golfinho-cabeça-de-melão foi encontrado morto na Praia do Goiabal, em Calçoene, medindo 2,22 metros e em avançado estado de decomposição, uma espécie considerada rara em coleções científicas.
  • Em fevereiro do ano passado, um cachalote-pigmeu (Kogia breviceps) foi registrado na praia do Goiabalinho, em Calçoene, marcando o primeiro encalhe da espécie na costa amapaense.

Importância científica e educacional

A adição do crânio de cachalote ao acervo do Iepa não só amplia a coleção osteológica, mas também serve como uma ferramenta valiosa para educação ambiental e conscientização pública. O Museu Sacaca, ao exibir este espécime, oferece uma oportunidade única para visitantes aprenderem sobre a biodiversidade marinha e os esforços de conservação no Amapá, reforçando o papel do instituto na pesquisa e preservação da fauna aquática.