Capivara resgatada com fita plástica no corpo nas margens do Rio Pinheiros
Uma capivara com uma fita plástica presa ao redor do corpo foi resgatada na quinta-feira, dia 26, nas proximidades do Rio Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo. O objeto comprimia severamente a região do tórax do animal, colocando-o em risco iminente de morte por asfixia ou infecções graves.
Operação de resgate coordenada por equipes especializadas
O mamífero foi inicialmente localizado próximo à estação Santo Amaro por funcionários da ViaMobilidade, concessionária responsável pela administração da Linha 9-Esmeralda. Após alguns dias de monitoramento cuidadoso para avaliar o comportamento do animal, a equipe acionou voluntários do Projeto CAPA (Centro de Apoio e Proteção Animal), organização que acompanha aproximadamente 120 capivaras que habitam as margens dos 25 quilômetros do rio.
Para garantir um resgate seguro e eficaz, os voluntários instalaram uma armadilha especializada com porta aberta e utilizaram isca de cana-de-açúcar para atrair a capivara sem causar estresse desnecessário. Após o manejo adequado, a fita plástica que apertava o tórax do animal foi completamente removida. Após uma avaliação veterinária minuciosa que confirmou sua integridade física, a capivara foi devolvida ao seu habitat natural.
Fitas rígidas representam o maior perigo para as capivaras
Segundo relatos do Projeto CAPA, objetos como sacolas plásticas, fitas, cordas, mochilas e até peças de roupa ficam presos com frequência nas capivaras que vivem na região do Rio Pinheiros. Embora comuns, as sacolas plásticas são consideradas menos preocupantes, conforme explica a presidente da ONG, Mariana Aidar.
"É mais fácil de retirar ou, às vezes, quando a gente chega, já caiu", afirma Aidar. Como as capivaras nadam e esbarram em detritos no fundo do rio, esse material costuma rasgar naturalmente. O verdadeiro perigo está nas fitas de polietileno utilizadas para amarrar materiais de construção.
"É uma fita rígida, bem dura. Entra pela cabeça ou pelas patas e para no dorso. A capivara vai crescendo e aquilo não arrebenta. Começa a ferir o animal inteiro", detalha a especialista, destacando como esses objetos podem causar lesões profundas e progressivas.
População deve evitar tentativas de resgate por conta própria
A ONG emite um alerta importante: a população não deve tentar retirar objetos presos aos animais silvestres. Além de poder configurar crime ambiental, essa prática coloca as pessoas em risco significativo e pode prejudicar seriamente os esforços de resgate profissional.
"Se for algo realmente preso ao corpo, a pessoa pode deixar o animal mais arisco, o que prejudica muito o nosso trabalho. A gente sabe que é por boa intenção, mas atrapalha", reforça Mariana Aidar. Capivaras podem se tornar agressivas e atacar em situações de estresse extremo, representando um perigo real para quem se aproxima sem treinamento adequado.
A orientação oficial é acionar imediatamente o Projeto CAPA ou órgãos ambientais competentes ao encontrar um animal silvestre ferido ou em perigo. Essa medida garante tanto a segurança humana quanto o bem-estar dos animais, permitindo intervenções especializadas e eficientes.



