Cachorra atacada por sucuri em Urânia recebe alta e vira celebridade local
A cadela vira-lata Rabisca, que foi atacada por uma sucuri de seis metros em Urânia, no interior de São Paulo, recebeu alta da clínica veterinária onde estava internada e já retornou para casa. O incidente, que ocorreu no dia 5 de fevereiro, ganhou grande repercussão após um vídeo mostrar o momento em que a cobra se enrolou na cachorra, viralizando na internet.
Resgate e recuperação da cadela
Após o ataque, a sucuri foi capturada pelo Corpo de Bombeiros e devolvida à natureza, enquanto Rabisca, conhecida por seu desfecho feliz, iniciou o processo de recuperação. Desde que recebeu alta, a cachorra tem aproveitado a vida de celebridade, repousando em uma das ruas do bairro Bela Vista, onde reside.
Em entrevista à TV TEM, a tutora da cadela, a cozinheira Elke Dayane Alves, relatou que ainda não se recuperou totalmente do susto. “Nós escutamos um barulhão, que foi a hora em que a cobra pegou a Rabisca e puxou para o buraco. Eu saí correndo e, quando eu vi, a cobra já estava embolada nela. Eu comecei a gritar pelos vizinhos, comecei a chorar e entrei em desespero”, contou Elke, destacando que uma cobra daquele tamanho nunca havia sido vista na região.
Contexto do ataque e hábitos da cadela
Rabisca, que tem sete anos, foi adotada pela família de Elke após viver abandonada nas ruas. Por isso, ela mantém o hábito de circular livremente pelo bairro, valorizando sua liberdade. O ataque ocorreu às margens de um córrego próximo às residências, área onde moradores relatam a frequente aparição de animais peçonhentos.
Diante do ocorrido, a população local expressou preocupação com a segurança. O aposentado Silvério Martinelli comentou: “Nós ficamos meio inseguros. Vamos ver agora com essa limpeza, mas tem que ser uma coisa para valer. Não é coisa de brincar não. É fazer um negócio para elas [cobras] não subirem para o perímetro urbano”.
Posicionamento das autoridades
A Polícia Ambiental emitiu um alerta sobre a atitude dos moradores durante o resgate, ressaltando que não é recomendada. O capitão Alonso Silva explicou: “Isso pode gerar sérios danos. Mesmo que seja uma cobra não peçonhenta, uma mordida pode gerar uma infecção e outros problemas... Então, não tente encurralar a cobra, ligue para um órgão especializado em resgate desse tipo de animal”.
Questionada pela TV TEM, a Prefeitura de Urânia esclareceu que a situação do córrego no bairro Bela Vista é antiga. O município se comprometeu a realizar limpezas rotineiras e adotar medidas para reduzir os riscos à população. No entanto, por se tratar de uma área propícia ao aparecimento de animais silvestres, a solução exige investimentos elevados.
Por isso, o poder público está pleiteando recursos junto ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) para buscar uma intervenção ampla e definitiva no córrego, visando prevenir futuros incidentes.
Impacto e reflexões
O caso de Rabisca não apenas emocionou a comunidade local, mas também serviu como um alerta para os perigos da convivência entre áreas urbanas e habitats naturais. A rápida ação dos vizinhos e o resgate eficiente pelas autoridades foram cruciais para o desfecho positivo, destacando a importância da colaboração entre moradores e órgãos especializados em situações de risco com animais silvestres.
Enquanto Rabisca se recupera e desfruta de sua nova fama, a população de Urânia aguarda medidas concretas para garantir a segurança de todos, reforçando a necessidade de políticas públicas que equilibrem o desenvolvimento urbano com a preservação ambiental.
