Cães comunitários desaparecidos do Mercado Livre: buscas por Rajadinha e Cara Preta continuam após mais de um mês
Buscas por cães desaparecidos do Mercado Livre continuam após um mês

Desaparecimento de cães comunitários mobiliza polícia e empresa no Paraná

Mais de um mês após o sumiço de cães comunitários que viviam no centro de distribuição do Mercado Livre em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, dois dos animais ainda não foram localizados, conforme informações da Polícia Civil do Paraná (PC-PR). As cadelas Rajadinha e Cara Preta desapareceram na madrugada do dia 28 de janeiro, junto com outros dois cães que posteriormente foram encontrados.

Investigação aponta ação planejada por funcionários

De acordo com as investigações da Polícia Civil, funcionários da empresa deliberadamente organizaram a retirada dos animais do local. O delegado Guilherme Dias, responsável pelo caso, afirmou que houve planejamento prévio para a ação, que ocorreu durante a noite e foi executada por pessoas contratadas por colaboradores do Mercado Livre.

Imagens de câmeras de segurança mostram um furgão branco entrando na área restrita do centro de distribuição na madrugada do dia 28 de janeiro. Nas gravações, um homem usando colete da empresa se aproxima dos cães e os conduz até o veículo. Apenas um cachorro, chamado Branquinho, permaneceu no local.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Trajeto do veículo e local de possível abandono

O veículo foi visto pouco depois na região do bairro Botiatuva, em Campo Largo, aproximadamente 20 quilômetros distante da empresa. As imagens mostram que o furgão passou pela área por volta das 1h40 e retornou dois minutos depois, levantando a suspeita de que os cães tenham sido abandonados nesse breve intervalo de tempo.

No dia seguinte ao ocorrido, funcionários notaram a ausência dos animais e, sem receber explicações satisfatórias sobre o paradeiro deles, decidiram acionar a Polícia Civil para investigar o caso.

Dois cães encontrados, dois continuam desaparecidos

Em 16 de fevereiro, dois dos cães desaparecidos – Xuxa e Lobão – foram localizados em Campo Largo. A identificação foi possível porque os animais são castrados e possuem microchips implantados sob a pele, confirmando que se tratavam dos cães procurados.

No final de fevereiro, o Mercado Livre chegou a anunciar que havia encontrado um cachorro que poderia ser um dos animais ainda desaparecidos. Entretanto, após novas tentativas de identificação, a empresa afirmou que não foi possível confirmar que se tratava do mesmo animal que vivia no pátio da companhia.

O delegado Guilherme Dias relatou ao g1: "Eu fui até o local onde estaria este cachorro que teriam encontrado, mas não era o mesmo. Ele era bem parecido, mas não tinha microchip".

Posicionamento da empresa e andamento das investigações

O Mercado Livre informou que demitiu os funcionários envolvidos no caso, cujos nomes não foram divulgados. A empresa emitiu um posicionamento oficial afirmando:

"O Mercado Livre reitera seu compromisso e prioridade na busca pelos cães que residiam nas imediações de sua operação em Araucária (PR). Após novos esforços para viabilizar a correta identificação do que poderia ser o terceiro cão relacionado ao caso, não foi possível confirmar, até o momento, que se trata do mesmo animal".

A companhia acrescentou que mantém tolerância zero a maus-tratos de animais e segue implementando medidas para aprimorar seus processos, garantindo que situações similares não se repitam.

Histórico dos animais no local

Após a instalação do Centro de Distribuição do Mercado Livre em Araucária, vários cães passaram a viver no local. Entre eles estavam as irmãs Rajadinha e Cara Preta, além de Lobão, Xuxa e Branquinho. Os animais eram considerados cães comunitários e recebiam cuidados de funcionários da empresa, que frequentemente registravam o convívio com eles no dia a dia.

O inquérito policial continua aberto e, segundo o delegado Guilherme Dias, novas pessoas devem ser ouvidas nas próximas etapas da investigação. Até o momento, ninguém foi formalmente responsabilizado pelo desaparecimento dos animais. As buscas por Rajadinha e Cara Preta seguem ativas, com a polícia e a empresa mobilizando esforços para localizar as duas cadelas que permanecem desaparecidas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar