Expedição fotográfica brasileira revela dualidade da natureza africana
A fotógrafa brasileira Sâmia Munaretti, conhecida nas redes sociais por seus registros impressionantes da fauna mundial, retornou ao continente africano em uma expedição que capturou tanto a beleza exuberante quanto a realidade dura da vida selvagem na África do Sul. Com milhares de seguidores acompanhando seu trabalho com mamíferos, aves e insetos, ela transformou esta viagem em um verdadeiro manifesto visual pela conservação ambiental.
Reencontro com paisagens marcantes
"Já estive duas vezes na África do Sul e sempre cogitei voltar", revela Sâmia. "É um país que me marcou profundamente, não só pelos safáris, mas pela cultura e pela diversidade de paisagens. A região sul, por exemplo, permite percorrer a famosa Garden Route, entre Cape Town e Port Elizabeth, com cenários muito diferentes ao longo do caminho. É um destino que sempre oferece novos lugares para explorar".
Junto com seu marido, também fotógrafo, ela elaborou um roteiro cuidadoso que revisitou locais significativos de viagens anteriores em 2018 e 2022, enquanto explorava novos destinos. Entre as descobertas desta expedição esteve o Parque Nacional Bontebok, criado em 1931 especificamente para proteger o bontebok (Damaliscus pygargus), um antílope nativo da África do Sul, Lesoto e Namíbia.
Conscientização através das lentes
As experiências acumuladas nestas jornadas ampliaram significativamente a perspectiva da fotógrafa sobre a importância da preservação ambiental. "Esse contato direto com a vida selvagem, seja no Brasil, na África do Sul ou em outros lugares, sempre provoca o pensamento de que preservar o meio ambiente não é uma escolha individual isolada, é uma responsabilidade de todos nós", reflete Sâmia.
Ela acrescenta: "Cada atitude importa, seja respeitando as regras dos parques, apoiando iniciativas sustentáveis ou simplesmente aprendendo a enxergar a natureza com mais respeito".
Beleza e brutalidade em cenas impactantes
A África do Sul apresenta uma imensa diversidade cultural, geográfica e ambiental, revelando cenários únicos aos visitantes. No entanto, a observação aprofundada da natureza também trouxe à tona cenas impactantes de sobrevivência que marcaram profundamente a fotógrafa.
"Algumas cenas foram muito fortes, como uma babuína segurando seu filhote, que provavelmente havia sido atropelado, e um leão com a cara bastante ferida, possivelmente consequência de alguma briga com outro leão", relata Sâmia. "São imagens que mostram a beleza, mas também a dureza da vida selvagem. A natureza é bela, mas também é bruta".
Apesar dos momentos difíceis, encontros raros compensaram emocionalmente a expedição. "Ter conseguido registrar três chitas juntas foi algo incrível! A cena não sai da minha cabeça. O encontro com uma família de quatro rinocerontes também foi muito especial", compartilha com entusiasmo.
Novas descobertas e propósito maior
Para quem se dedica a fotografar a natureza, estar na África representa uma oportunidade excepcional. A biodiversidade do continente amplia o olhar dos observadores e reforça a necessidade de respeitar cada espécie e habitat. Nesta viagem, a brasileira teve a chance inédita de fotografar uma família de suricatos, experiência que mesmo com toda sua bagagem em campo, trouxe grandes emoções.
Ao visitar parques nacionais e áreas de conservação com estrutura organizada, Sâmia pôde observar como o país consegue aliar o turismo ecológico à conservação efetiva dos animais. Agora, ela pretende organizar e divulgar todo o conteúdo produzido durante a expedição.
"Fotografar a natureza é mais do que registrar paisagens ou animais. É uma forma de criar conexão", conclui a fotógrafa. "Quando alguém se emociona com uma imagem, passa a enxergar aquele ambiente com mais respeito e consciência. Se minhas fotografias conseguirem despertar em alguém o desejo de cuidar, preservar e valorizar a vida selvagem, então elas terão cumprido seu propósito maior".



