Armadilhas fotográficas capturam onças e animais silvestres no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães
Armadilhas fotográficas capturam onças e animais em MT

Armadilhas fotográficas revelam vida selvagem no Cerrado mato-grossense

As primeiras imagens capturadas por câmeras de monitoramento no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, foram divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Impacto. Os registros mostram uma impressionante diversidade de espécies do bioma Cerrado, incluindo predadores de topo como onça-pintada, onça-parda e lobo-guará circulando livremente pela mata.

Monitoramento detalhado com 84 câmeras

O projeto científico utiliza um total de 84 câmeras distribuídas em 42 pontos estratégicos dentro do parque. Em cada estação de monitoramento, foram instaladas duas câmeras posicionadas para registrar ambos os lados dos animais. Essa técnica é essencial porque o padrão de manchas das onças é único em cada indivíduo, funcionando como uma verdadeira impressão digital que permite identificar e acompanhar cada animal ao longo das pesquisas.

Além dos grandes felinos, as imagens revelam a presença de outras espécies importantes:

  • Gavião-de-penacho (espécie considerada rara)
  • Casal de jaguatiricas
  • Anta
  • Tamanduá-mirim
  • Tatu-canastra
  • Tamanduá-bandeira

Pesquisa científica para conservação

O presidente e coordenador do instituto, Paul Raad, explicou que o trabalho se concentra em áreas com histórico de conflitos entre humanos e grandes felinos. "O Instituto nasce justamente para atuar onde há vulnerabilidade, buscando soluções que permitam a continuidade das atividades humanas com responsabilidade e garantindo a conservação dos grandes carnívoros", afirmou Raad.

Segundo o pesquisador, estudar as onças é também uma forma de avaliar a saúde do próprio parque. Os registros devem ajudar os cientistas a estimar pela primeira vez a densidade e abundância de onças na região, dados desconhecidos desde a criação da unidade de conservação.

Parcerias acadêmicas e metodologia

As pesquisas são realizadas em colaboração com importantes instituições de ensino superior:

  1. Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
  2. Universidade Estadual Paulista (Unesp)
  3. Universidade de São Paulo (USP)

Os estudos abrangem diversas áreas do conhecimento, incluindo saúde animal, genética e monitoramento de fauna, com o objetivo de desenvolver estratégias eficazes de conservação.

Importância do Cerrado e pressões ambientais

O Cerrado é considerado a savana mais biodiversa do planeta, abrigando mais de 1.500 espécies de animais vertebrados e concentrando nascentes que abastecem importantes bacias hidrográficas brasileiras. A presença de predadores de topo como onça-pintada, onça-parda e lobo-guará é fundamental para manter o equilíbrio ambiental desse ecossistema.

No entanto, o parque enfrenta diversas pressões ambientais, conforme destacou Raad:

  • Expansão urbana desordenada
  • Atividades de mineração ilegal
  • Avanço de atividades rurais
  • Caça ilegal
  • Uso irregular da área por motos
  • Proximidade com a capital Cuiabá

Atuação estendida ao Pantanal

Além do trabalho no Cerrado, o Instituto Impacto mantém atividades no Pantanal mato-grossense, com base instalada na Pousada Piuval, no município de Poconé. No local, funciona um centro de pesquisa completo com laboratório e núcleo dedicado à coexistência entre humanos e grandes predadores.

A região pantaneira registra conflitos frequentes entre onças-pintadas e produtores rurais. As ações do instituto incluem orientação a fazendeiros, pequenos proprietários e comunidades tradicionais, como ribeirinhos, para reduzir prejuízos econômicos e evitar a morte dos animais, promovendo uma convivência mais harmoniosa entre humanos e fauna silvestre.