Animais silvestres não são pets: criação ilegal traz riscos à saúde e ao meio ambiente
Manter animais silvestres em residências continua sendo uma prática comum na região oeste do Pará, mesmo sendo um crime ambiental e representando sérios riscos à saúde humana e à própria fauna. O alerta foi feito pelo capitão Jesus Pereira, chefe da primeira sessão da Companhia de Policiamento Ambiental (Cipamb), em Santarém.
Causas culturais e danos aos animais
Segundo o oficial, a principal causa dessa prática ainda é cultural. Ele explicou que hábitos antigos de criação doméstica persistem na região, resultando em danos severos aos animais. Entre os problemas mais comuns estão o estresse crônico, a alimentação inadequada e até mutilações realizadas para impedir fugas. Ao contextualizar o tema, o capitão afirmou que “isso prejudica tanto o animal quanto o ser humano”, destacando o potencial de transmissão de doenças e o sofrimento causado pelo confinamento inadequado.
Animais mais apreendidos e comércio ilegal
Entre os animais silvestres mais apreendidos na região estão o curió, o papagaio e o jabuti. O comandante também chamou atenção para a gravidade do comércio ilegal, considerado ainda mais sério do que a posse irregular. Em uma apreensão recente, ele relatou que “já eram cerca de 180 aves mantidas em gaiolas”, todas resgatadas com vida, mas em condições precárias que exigem reabilitação.
Riscos de ataques e transmissão de doenças
Outro ponto ressaltado pelo capitão foi o risco de ataques, especialmente em casas com crianças. Ele explicou que, mesmo quando aparentemente domesticados, animais silvestres podem reagir de forma agressiva em situações de estresse. Além disso, mordidas ou bicadas podem transmitir bactérias perigosas, aumentando os perigos para a saúde pública.
Penalidades legais e alternativas
Sobre as penalidades, a legislação ambiental prevê detenção de seis meses a um ano ou multa para quem mantém animal silvestre ilegalmente. Em casos de maus-tratos, a pena pode chegar a três anos de prisão, além de sanções financeiras significativas. O capitão também lembrou que quem compra animais ilegais responde por receptação, reforçando a importância de evitar essa prática.
Como alternativa, a Cipamb incentiva a entrega voluntária de animais silvestres, que evita penalidades para os infratores. Denúncias e pedidos de resgate devem ser feitos pelo número 190, canal que aciona as equipes especializadas e garante o encaminhamento correto, como para o ZooUnama, parceiro no processo de reabilitação da fauna.
Contexto regional e conscientização
A persistência dessa prática no oeste do Pará reflete desafios culturais e de fiscalização. O capitão Jesus Pereira enfatizou a necessidade de campanhas educativas para conscientizar a população sobre os riscos envolvidos. A entrevista completa, com detalhes sobre legislação, exceções legais, riscos sanitários e procedimentos de resgate, está disponível em formato de vídeo, oferecendo mais informações para quem busca entender melhor o tema.