ONGs denunciam aumento de abandono de cães e gatos em Dubai após início de conflito no Oriente Médio
Abandono de pets em Dubai cresce com guerra no Oriente Médio

ONGs denunciam aumento de abandono de cães e gatos em Dubai após início de conflito no Oriente Médio

Organizações de proteção animal emitem alerta urgente sobre um crescimento significativo no abandono de cães e gatos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após o início do conflito no Oriente Médio. Segundo relatos das entidades, muitos estrangeiros residentes no país estariam partindo às pressas e deixando seus animais de estimação para trás, em uma situação que tem gerado indignação e preocupação.

Caso da influenciadora viraliza e expõe problema

A polêmica ganhou destaque nas redes sociais após a influenciadora Maddy Burciaga ser acusada de abandonar sua cadela, Maya, ao viajar para as Ilhas Maurício com o companheiro e o filho, fugindo do conflito. Burciaga justificou que os procedimentos administrativos para levar o animal eram "muito complicados devido ao excesso de burocracia". A ONG Liga dos Animais criticou publicamente a atitude, classificando-a como "vergonhosa" e questionando por que não iniciou o processo de repatriação da cachorra.

Em resposta, a influenciadora afirmou em seu Instagram que "jamais abandonaria" sua cachorra, explicando que Maya ficou sob cuidados de outra pessoa e que a viagem seria temporária, com planos de retorno mesmo se a situação não melhorar. No entanto, organizações locais ressaltam que o problema vai muito além desse caso isolado.

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Abandono recorrente agravado pela guerra

Entidades de proteção animal destacam que o abandono de animais já era um problema crônico nos Emirados Árabes Unidos, impulsionado pelo sistema de vistos instável e pelos altos custos para transportar pets. Com a saída repentina de expatriados devido ao conflito, a situação se agravou dramaticamente.

Relatos chocantes têm surgido:

  • Cães amarrados a postes de luz ou latas de lixo, muitas vezes com bilhetes de desculpas deixados pelos donos.
  • Gatos abandonados em caixas de papelão próximas à fronteira, especialmente na região de Omã.
  • Tutores solicitando eutanásia para animais saudáveis para evitar a burocracia de transporte.

A ONG K9 Friends Dubai confirmou esses casos, evidenciando a dimensão da crise.

Burocracia complexa dificulta transporte de animais

Embora condenem os abandonos, as organizações reconhecem que os procedimentos para sair dos Emirados com um animal são extremamente complexos. Para entrar na União Europeia, por exemplo, são necessários:

  1. Certificado de vacinação antirrábica válido.
  2. Exame de titulação de anticorpos.
  3. Documentos veterinários e certificados de exportação emitidos por autoridades locais.

O processo pode levar meses, tornando-se inviável em situações de fuga urgente. Além disso, companhias aéreas estariam restringindo o transporte de animais devido à queda no tráfego aéreo provocada pelo conflito.

Medida especial da França oferece alívio

Diante da crise, a Fundação Brigitte Bardot lembrou que, durante a guerra na Ucrânia em 2022, uma medida excepcional permitiu que refugiados entrassem na Europa com seus animais, apesar das exigências sanitárias. A organização renovou o pedido para o atual conflito no Oriente Médio.

Na quarta-feira, o Ministério da Agricultura da França atendeu à solicitação, anunciando uma medida especial válida até 30 de abril de 2026. Esta permite a entrada na França de cães e gatos acompanhando seus donos provenientes de países como Emirados Árabes Unidos, Omã, Síria, Líbano e outros, mesmo que não atendam a todos os requisitos sanitários europeus de importação.

Embora essa iniciativa seja um passo importante, organizações de proteção animal continuam alertando para a necessidade de mais ações globais para prevenir o abandono e facilitar a segurança dos pets em tempos de conflito.

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