Medo e Tensão: Comerciantes do Setor Comercial Sul Mudam Rotina Após Onda de Violência no DF
Violência no DF altera rotina de comerciantes

Não é exagero dizer que o clima no Setor Comercial Sul, um dos polos mais movimentados do Distrito Federal, está pesado. Pesado como um céu nublado antes da tempestade. Os comerciantes — aqueles que mantêm a economia local pulsando — estão tomando decisões difíceis, quase desesperadas, movidos por um sentimento único: o medo.

E não é para menos. A sequência de assaltos violentos, ameaças e casos de extorsão virou rotina. Uma rotina nauseante. Muitos já nem esperam o sol se por para trancar as portas. O horário de fechamento, que antes era por volta das 20h, agora acontece muito mais cedo, lá pelas 17h, 18h. Um baque enorme no faturamento, é claro, mas o que vale mais: o lucro ou a segurança da própria pele?

O Preço Invisível do Medo

Além do fechamento antecipado, o prejuízo se esconde em outros cantos. A circulação de pessoas diminuiu sensivelmente. Quem é que vai fazer compras com tranquilidade num lugar onde a próxima ocorrência pode ser ali na esquina? A sensação de insegurança é, talvez, o produto mais caro que se vende por lá atualmente.

E as soluções? Bem, elas chegam com um custo extra. Grades de proteção mais robustas, câmeras de vigilância de última geração, contratação de seguranças particulares… Tudo isso sai do bolso do lojista, que já sente o aperto da queda nas vendas. Um investimento forçado, um mal necessário para tentar dormir um pouquinho mais tranquilo à noite.

O Silêncio das Autoridades

Aqui entra um ponto que deixa muita gente com os cabelos em pé: a resposta do poder público. Os comerciantes reclamam — e com certa razão — da falta de uma presença policial mais ostensiva e eficaz. Eles se sentem, nas próprias palavras de alguns, "jogados aos leões". Existe uma cobrança por rondas mais frequentes e por investigações que de fato cheguem a algum lugar.

Enquanto isso não acontece, a estratégia é caseira, improvisada. Vizinhos se comunicam mais, criam grupos de mensagens para alertar sobre movimentos estranhos, combinam de ficarem de olho nas lojas uns dos outros. Uma rede de proteção coletiva que nasce da pura necessidade, da falta de alternativa.

O Setor Comercial Sul vive um daqueles momentos decisivos. Ou o poder público age para reverter essa situação, ou a economia local vai definhando, loja por loja, medo por medo. O comércio é o coração de qualquer cidade. E quando o coração tem medo de bater, todo o corpo sofre.