Pintor com problemas de saúde mental é agredido por policiais militares em Morro Agudo, SP
Um homem que enfrentava problemas de saúde mental há quase um mês foi agredido por policiais militares durante uma abordagem no meio da rua, em Morro Agudo, interior de São Paulo. A vítima é o pintor Carlos Eduardo Montalvão, de 46 anos, que segundo familiares apresentava surtos, desorientação e já não conseguia trabalhar nas semanas anteriores ao episódio.
Família relata tentativas frustradas de atendimento médico
Os irmãos do pintor, Maria de Lourdes Ribeiro Montalvão e José Roberto Montalvão, afirmam que a família tentou conseguir atendimento médico e internação para Carlos Eduardo dias antes da agressão, mas não obteve sucesso. "Falaram que sem os documentos e sem o exame da cabeça não podiam fazer nada", conta Maria, que foi orientada a procurar um serviço próximo à rodoviária da cidade.
José Roberto complementa: "Faz tempo que ele está com esses problemas, mais de 25 dias. Ele surta, fica perdido. Tenta fazer um serviço, mas não consegue mais. Está prejudicando ele". A família classifica a ação policial como violenta e desproporcional, especialmente considerando o estado de saúde do pintor.
Vídeos mostram agressão com tapas, chutes, socos e bastão
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que dois agentes desferem tapas, chutes, socos e golpes de bastão contra Carlos Eduardo no bairro Antônio José Abraão, no último sábado (31). As imagens gravadas por moradores mostram o pintor andando em círculos no meio da Rua Silvio Bruza, falando frases desconexas e xingando.
Quando a viatura passa, ele começa a ofender os policiais. Um dos agentes desce do carro, se aproxima e o atinge com tapa e chute, tentando imobilizá-lo pelo pescoço. O pintor cai no chão e recebe vários socos, enquanto o segundo policial se aproxima e desfere um golpe com um bastão.
Versões conflitantes e investigação em andamento
No boletim de ocorrência, os agentes informaram que foram chamados ao local porque o pintor estaria ameaçando três mulheres. Segundo o registro, ele passou a ofender a equipe no momento em que a viatura deixava o endereço e teria investido contra os policiais. Eles afirmaram que foi necessário uso de força moderada para contê-lo e algemá-lo.
Maria reconhece que o irmão ofendeu os agentes, mas considera a reação desproporcional: "Eu sei que ele xingou eles de vermes, sim, mas ele estando com problemas, eles não podiam ter batido nele assim. É mais dolorido, porque a polícia está ali para servir outras coisas, e eles vêm na pancada".
Após a abordagem, Carlos Eduardo foi levado a um hospital da cidade, onde levou pontos na cabeça. Após receber alta, foi encaminhado à delegacia em São Joaquim da Barra. O caso foi registrado como desobediência e desacato.
Autoridades analisam o caso
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar do Estado de São Paulo analisa as imagens e a conduta dos agentes para adoção das medidas administrativas e legais cabíveis. A pasta declarou que a corporação não compactua com excessos ou desvios de conduta.
A ocorrência é investigada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, que deve ouvir envolvidos e testemunhas para esclarecer as circunstâncias da abordagem. A família aguarda respostas sobre o tratamento dado ao pintor durante a intervenção policial.