Mulher morre após ser baleada pela Polícia Militar em São Paulo
As polícias Civil e Militar investigam a morte de uma mulher após uma intervenção policial na madrugada desta sexta-feira, 3 de janeiro, em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. A vítima, identificada como Thawanna da Silva Salmázio, foi socorrida ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos causados por um disparo de arma de fogo.
Políciais afastados e investigações em andamento
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais envolvidos no caso foram afastados do serviço operacional até a conclusão das investigações. As imagens das câmeras corporais serão analisadas e encaminhadas às autoridades responsáveis, assim como os laudos periciais, para esclarecer as circunstâncias do incidente.
Versão dos policiais: confronto físico e agressão
Segundo o relato dos policiais no boletim de ocorrência, a equipe fazia patrulhamento quando avistou um casal andando com os braços entrelaçados no meio da rua. Ao passar pelo local, o homem teria se desequilibrado e batido o braço no retrovisor da viatura. Os agentes afirmam que retornaram para verificar a situação, momento em que o homem passou a gritar e discutir com a equipe, desobedecendo à ordem para se afastar.
De acordo com o depoimento de uma policial militar, houve um desentendimento e, na sequência, a mulher teria partido para cima dela, iniciando um confronto físico. A policial relatou que Thawanna apresentava comportamento exaltado, invadiu seu espaço pessoal e desferiu tapas, incluindo um no rosto. Ela afirma que tentou se defender e conter a agressão, mas durante a ocorrência, houve um disparo de arma de fogo, e a mulher foi atingida.
Versão do companheiro: viatura em alta velocidade e disparo direto
Já o companheiro da vítima, Luciano Gonçalves dos Santos, apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele afirmou que a viatura passou em alta velocidade, quase atingindo o casal, o que gerou reação de sua esposa. Segundo ele, uma policial desceu da viatura e efetuou um disparo em direção à mulher, sem que houvesse agressão prévia.
Luciano também disse que tentou demonstrar que não oferecia risco e que, mesmo assim, policiais utilizaram spray de pimenta contra ele. Ele enfatizou que Thawanna não apresentava comportamento agressivo no momento do incidente, contradizendo a narrativa dos agentes.
Investigações separadas e contexto de mortes por PMs
A Polícia Civil entendeu, neste momento, que há indícios do crime de resistência por parte dos envolvidos, com base nos depoimentos dos policiais, e foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). As circunstâncias do disparo de arma de fogo e das lesões serão investigadas separadamente em Inquérito Policial Militar (IPM), já instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar, além de possível investigação na esfera da Polícia Civil.
Este caso ocorre em um contexto onde mortes cometidas por policiais militares em serviço têm aumentado em São Paulo em 2025, levantando debates sobre o uso da força e procedimentos de segurança pública. As autoridades prometem transparência nas apurações, enquanto a comunidade aguarda respostas sobre a tragédia que vitimou Thawanna da Silva Salmázio.



