Letalidade policial em São Paulo sobe 41% no início de 2026, com 130 mortes em dois meses
Letalidade policial em SP sobe 41% em 2026, com 130 mortes

Letalidade policial em São Paulo dispara 41% no início de 2026

Policiais militares e civis foram responsáveis pela morte de 130 pessoas no estado de São Paulo durante os meses de janeiro e fevereiro de 2026. Esse número alarmante representa uma média de aproximadamente duas mortes por dia e um aumento significativo de 41% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados revelam que a tendência de alta na violência policial persiste, consolidando um cenário preocupante para a segurança pública paulista.

Recorde histórico e concentração na Baixada Santista

Os números atuais seguem um recorde estabelecido no último trimestre de 2025, quando São Paulo registrou 276 mortes decorrentes de intervenções policiais, o maior volume em um trimestre desde o início da série histórica em 1996. Atualmente, o aumento é impulsionado principalmente pelo recrudescimento das mortes na região metropolitana da Baixada Santista, área que já foi palco das operações mais letais da Polícia Militar sob o governo Tarcísio de Freitas, como as operações Escudo e Verão.

Essas duas ações, desencadeadas após assassinatos de policiais em Guarujá e Santos em 2023 e 2024, resultaram oficialmente em 84 mortos pela PM. Embora os números de 2026 se aproximem dos 147 registrados há dois anos, quando a operação Verão concentrou casos, a atual alta ocorre sem uma operação específica que justifique tal concentração. Na Baixada Santista, as mortes provocadas por policiais saltaram de seis em janeiro e fevereiro de 2025 para 23 no mesmo período de 2026, um aumento impressionante de 283%.

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Contraste com outros crimes e casos emblemáticos

O crescimento da violência policial contrasta com a queda registrada em outros crimes no estado. Os homicídios dolosos, por exemplo, tiveram 392 casos no primeiro bimestre, recuando 7,5% em relação a 2025 e atingindo o menor número para o período na série histórica. Roubos e furtos também apresentaram reduções, com os roubos alcançando o menor patamar já registrado. No entanto, os feminicídios seguem em alta, com 56 casos, o maior número desde 2018.

Na Baixada Santista, os homicídios aumentaram levemente, com 20 assassinatos registrados, dois a mais que no ano anterior. As mortes causadas por PMs na região se concentraram nos municípios de Guarujá, Santos e Cubatão, incluindo casos em que três pessoas foram mortas de uma só vez, como em Santos em 23 de janeiro e em Cubatão em 30 de janeiro.

Um caso emblemático ocorreu em 5 de janeiro, na Brasilândia, zona norte de São Paulo, onde um policial militar de 37 anos, de folga, matou um jovem de 21 anos com um tiro na cabeça após uma discussão de trânsito. O cabo Leandro de Souza Assis se entregou e foi preso, alegando que a vítima fez menção de sacar uma arma, embora nenhuma arma tenha sido encontrada com ela.

Atuação de tropas de elite e políticas de segurança

Desde o início da gestão Tarcísio, a atuação da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e dos Baep (Batalhões de Ações Especiais de Polícia) se destaca no aumento da violência policial. Essas tropas de elite, com treinamento especializado, envolveram-se em ocorrências mortais com maior frequência e em mais municípios. A Rota, conhecida por seu alto índice de letalidade, foi o batalhão que mais matou em 2025, com 67 casos, e já registrou 22 mortes em 2026, podendo superar o número do ano anterior se mantiver o ritmo.

A letalidade e o controle da atuação policial tornaram-se temas centrais do governo Tarcísio, que inicialmente anunciou interesse em acabar com o programa de câmeras corporais da PM, mas depois recuou parcialmente após críticas. Sob sua gestão, a PM contratou novos modelos de câmeras, onde o policial aciona o equipamento, podendo ter acionamento automático em certas condições. Em operações como Escudo e Verão, sete casos foram denunciados por supostas fraudes de provas, incluindo o tamponamento de lentes de câmeras.

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Resposta da Secretaria de Segurança Pública

Questionada sobre o aumento, a Secretaria de Segurança Pública da gestão Tarcísio de Freitas afirmou que intensificou o enfrentamento à criminalidade violenta e organizada, com operações de alta complexidade que influenciam diretamente o tipo de ocorrência. A pasta destacou que na área do Deinter-6 (Santos), homicídios dolosos, furtos e roubos em geral apresentaram quedas.

A secretaria também enfatizou que todas as ocorrências de morte por intervenção policial são rigorosamente investigadas, com acompanhamento de corregedorias, Ministério Público e Judiciário, e que as polícias paulistas não compactuam com excessos, punindo casos identificados. Desde 2023, mais de 1.300 policiais civis e militares foram presos, expulsos ou demitidos, reforçando a atuação das corregedorias.

Os números indicam que as mortes provocadas por policiais nos seis meses de setembro de 2025 a fevereiro de 2026 já superam o total registrado em todo o ano de 2022, quando a letalidade policial atingiu os patamares mais baixos em 17 anos, evidenciando um retrocesso preocupante na segurança pública de São Paulo.