Justiça manda a júri acusado de matar ex-cunhado e esfaquear ex-mulher em Limeira
Réu vai a júri por feminicídio e homicídio em Limeira

A Justiça da Comarca de Limeira, no interior de São Paulo, determinou que Paulo César Franco de Oliveira, de 36 anos, seja submetido a julgamento por um Tribunal do Júri. Ele responde pela morte de seu ex-cunhado e pelas tentativas de feminicídio contra sua ex-companheira e sua ex-sogra, em um crime ocorrido na madrugada do dia 26 de outubro de 2024.

Detalhes do crime violento

O ataque aconteceu por volta das 2h11, na Rua Canudos, no Jardim Ernesto Kühl. De acordo com os depoimentos colhidos pela polícia, o acusado invadiu a residência onde sua ex-mulher morava com a mãe após a separação do casal, que durou 12 anos.

A vítima principal, a ex-companheira, relatou que o relacionamento terminou entre fevereiro e março de 2024 devido a ciúmes, possessividade e agressões. Após a separação, ela se mudou para a casa da mãe, mas o réu não aceitou o fim, passando a persegui-la e ameaçá-la.

No dia do crime, ela acordou com os gritos do irmão. Paulo César já estava dentro da casa e foi até seu quarto, onde a atacou com uma faca, causando ferimentos no peito, mão direita, costas, axila e cabeça.

Intervenção da família e primeira vítima fatal

A ex-sogra, que tinha 62 anos à época, ouviu barulhos no portão e, ao se levantar, foi empurrada pelo acusado, que seguiu em direção ao quarto da filha. Ao ver o ataque, ela tentou intervir, mas também foi esfaqueada, sofrendo golpes no ombro, braço, costas e cabeça.

A primeira vítima do ataque, no entanto, foi Bruno José da Silva, de 38 anos, irmão da ex-companheira. Ele foi atacado quando abriu o portão para guardar um carro. A perícia constatou pelo menos três lesões por arma branca em seu corpo, sendo uma no crânio e duas nas costas. Ele foi encontrado caído na calçada, já sem vida.

A arma utilizada nos crimes não foi localizada. Tanto a ex-companheira quanto a ex-sogra foram socorridas e levadas à Santa Casa de Limeira, onde sobreviveram aos ferimentos.

Histórico de ameaças e decisão judicial

Investigadores descobriram que o acusado já era alvo de boletins de ocorrência e de uma medida protetiva movida pela ex-companheira, devido a ameaças e perseguições anteriores ao crime fatal.

Após o ataque, Paulo César fugiu do local em uma motocicleta, mas foi preso posteriormente. Ele optou por permanecer em silêncio perante a polícia e a Justiça. No processo, é representado pela Defensoria Pública, que não comenta casos em andamento.

O juiz Fábio Augusto Paci Rocha, da 1ª Vara Criminal de Limeira, fundamentou sua decisão de enviar o caso a júri popular afirmando que há "indícios suficientes de autoria" contra o denunciado. O réu responderá por:

  • Homicídio qualificado consumado (contra Bruno José da Silva).
  • Duas tentativas de feminicídio qualificado (contra a ex-companheira e a ex-sogra).

As qualificadoras apontadas pelo Ministério Público, que podem aumentar a pena, incluem uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, ação para assegurar a execução ou impunidade de outro crime, motivo fútil e meio cruel. O acusado permanece preso aguardando a data do julgamento pelo Tribunal do Júri.