Justiça mantém padrasto preso por suspeita de envenenar enteada de 9 anos em Goiás
Padrasto preso por suspeita de envenenar enteada em Goiás

Justiça determina prisão de padrasto suspeito de envenenamento fatal em Alto Horizonte

A Justiça decidiu manter preso Ronaldo Alves de Oliveira, suspeito de envenenar a enteada Weslenny Rosa Lima, de apenas 9 anos, durante um jantar familiar em Alto Horizonte, região norte de Goiás. O caso, que chocou a comunidade local, envolve a morte da criança e a internação do irmão mais novo, de 8 anos, que apresentou melhora progressiva no Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano.

Detalhes do crime e depoimentos contraditórios

Segundo documentos obtidos pela TV Anhanguera, Ronaldo afirmou à polícia que também passou mal após a refeição, vomitando diversas vezes enquanto se dirigia ao hospital onde o enteado estava internado. Em seu depoimento, dado no dia do crime como testemunha, ele relatou ter vomitado dez vezes durante o trajeto entre Alto Horizonte e Uruaçu, informação confirmada pela tia da criança que o acompanhava.

O suspeito negou conhecimento sobre o veneno conhecido como chumbinho, encontrado no arroz servido no jantar e que também causou a morte de quatro gatos que comeram restos descartados no quintal da residência. Ronaldo admitiu ter sido o responsável por preparar a comida naquele dia.

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Relato da mãe e tensões familiares

Nábia Rosa Pimenta, mãe das crianças, descreveu os momentos que antecederam a tragédia. Após o jantar de arroz, feijão e carne moída, as crianças foram dormir, mas Weslenny acordou chorando com fortes dores abdominais. "Ela falou assim: 'Mãe, eu não tô aguentando, me leva pro hospital'", relatou Nábia em entrevista exclusiva.

A menina piorou rapidamente após uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. Laudos periciais confirmaram que a causa da morte foi envenenamento por chumbinho, mesma substância identificada no arroz.

O delegado Domênico Rocha, responsável pelo caso, revelou que a família "não era pacífica e vivia envolta em uma aura de conflituosidade". O irmão sobrevivente de Weslenny afirmou à polícia que o padrasto já havia agredido ambos em ocasiões pontuais, informação corroborada pelo pai biológico das crianças.

Defesa alega inocência e contexto familiar conturbado

Em nota, a defesa de Ronaldo informou que recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar na inocência do cliente, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à delegacia para colaborar com as investigações. Os advogados solicitaram acesso ao caderno investigativo e aguardam a liberação do inquérito policial.

Nábia relatou ainda que Ronaldo vinha demonstrando impaciência com as crianças recentemente e que recebeu um vídeo dele, gravado há três anos, com tom de ameaça. Sobre isso, a defesa alega que as versões apresentadas pela mãe estão "distorcidas".

"Ele teria motivos de sobra para me atacar, porque eu já vinha falando há muito tempo que não dava mais. E ele não aceitava o fim. O meu medo é esse: para achar uma maneira de me atacar, ele ter atacado eles", desabafou Nábia.

Investigacão em andamento e acusações formais

Ronaldo está preso desde 1º de abril e é investigado por feminicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio triplamente qualificado. A Polícia Civil continua as investigações, aguarda a conclusão de laudos complementares e não descarta o envolvimento de terceiros no caso.

A defesa mantém a posição de que elementos futuros comprovarão a inocência de Ronaldo, descrevendo-o como "uma vítima do caso". Enquanto isso, a comunidade de Alto Horizonte permanece em estado de choque diante da tragédia que tirou a vida de uma criança e expôs tensões familiares profundas.

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