Menino envenenado em Alto Horizonte presta depoimento e relata agressões do padrasto
Menino envenenado relata agressões do padrasto à polícia

Menino envenenado em Alto Horizonte presta depoimento à polícia e relata agressões do padrasto

O irmão de oito anos de Weslenny Rosa Lima, de nove anos, que faleceu após ser envenenada, prestou depoimento à Polícia Civil de Alto Horizonte, Goiás. O menino revelou que já havia sido agredido pelo padrasto, assim como a irmã, em episódios pontuais. Ronaldo Alves de Oliveira, de 46 anos, foi preso sob suspeita de ter envenenado as crianças, e o menino também foi internado após consumir o mesmo alimento que a irmã.

Detalhes do depoimento e investigação

Segundo o delegado Domênico Rosa, em entrevista à TV Anhanguera, o menino afirmou que o pai biológico chegou a brigar com o padrasto devido às agressões. A mãe das crianças, Nábia Rosa Pimenta, também teria sido agredida pelo suspeito em ocasiões anteriores. "Ele disse que, pontualmente, não era algo frequente, mas a criança chegou a dizer que pontualmente ele agredia sim, não só a ele, mas também a irmãzinha que morreu", explicou o delegado.

O caso continua sob investigação da Polícia Civil. Ronaldo passou por audiência de custódia na quinta-feira (2), e a Justiça decidiu manter a prisão preventiva. A defesa de Ronaldo emitiu nota afirmando que recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar na inocência do cliente, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à delegacia para colaborar com os esclarecimentos.

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Envenenamento e descobertas policiais

Ronaldo foi preso na quarta-feira (1°) após a Justiça emitir um mandado de prisão preventiva. Na casa da vítima, a polícia encontrou uma panela com arroz misturado a grânulos escuros, material compatível com chumbinho, um veneno com venda proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2012. Laudos periciais confirmaram que o grânulo preto no arroz era chumbinho e que a causa da morte da menina foi envenenamento exógeno pelo mesmo veneno.

O delegado Domênico Rocha destacou que a substância também matou quatro gatos da vizinhança da família. "Laudos periciais acusaram que o grânulo preto no arroz realmente se tratava de chumbinho, e que os animais morreram intoxicados pelo mesmo veneno", afirmou. Ronaldo foi o responsável por cozinhar o jantar que as crianças consumiram, levando a Polícia Civil a solicitar sua prisão, com parecer favorável do Ministério Público.

Relato da mãe e motivações do crime

Nábia Rosa Pimenta, mãe das crianças, contou à TV Anhanguera que acredita que o crime tenha sido cometido pelo companheiro por não aceitar um possível fim do relacionamento. Ela descreveu o relacionamento com Ronaldo como marcado por discussões frequentes e tensões domésticas. "Ele teria motivos de sobra para me atacar, porque eu já vinha falando há muito tempo que não dava mais. E ele não aceitava o fim. O meu medo é esse: para achar uma maneira de me atacar, ele ter atacado eles", disse.

Nábia também relatou à polícia que o suspeito apresentava mudanças de comportamento e demonstrava falta de paciência com as crianças nos últimos meses. Ela afirmou ter medo do companheiro e que, em outras ocasiões, ele teria dado medicamentos para que ela dormisse. Por desconfiar de seu comportamento, pedia que ele experimentasse a comida antes de servir à família.

Nota da defesa e próximos passos

Em nota, a defesa de Ronaldo declarou: "A defesa recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar na inocência de Ronaldo, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à autoridade policial, justamente para colaborar com os esclarecimentos e demonstrar sua inocência. Informamos ainda que já foi solicitado acesso ao caderno investigativo, estando a defesa no aguardo da liberação do inquérito policial, a fim de que sejam adotadas todas as medidas legais cabíveis".

A morte da menina foi confirmada no sábado (28), e o menino foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no dia 27 devido ao envenenamento. O caso segue em investigação, com a polícia coletando mais evidências para esclarecer completamente as circunstâncias do crime.

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