Menina de 3 anos é estrangulada pela companheira do avô em Ribeirão Preto
Menina de 3 anos estrangulada pela companheira do avô em SP

Menina de 3 anos é estrangulada pela companheira do avô em Ribeirão Preto

A morte de Sophia Emanuelly de Souza, uma criança de apenas 3 anos, chocou profundamente a região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, nesta semana. O caso ganhou dimensões ainda mais trágicas porque um dos principais suspeitos do crime é justamente quem deveria proteger e zelar pela segurança da menina: seu próprio avô materno, com quem ela residia desde o início de 2024.

Detalhes do crime e prisões

José dos Santos, de 42 anos, e sua companheira, Karen Tamires Marques, de 33 anos, encontram-se atualmente presos preventivamente. Ambos são investigados pela prática de homicídio triplamente qualificado, um dos crimes mais graves previstos no ordenamento jurídico brasileiro. O laudo oficial do Instituto Médico Legal, divulgado na sexta-feira, dia 20 de fevereiro, confirmou que a morte ocorreu na terça-feira de Carnaval, 17 de fevereiro, por asfixia mecânica decorrente de estrangulamento.

Os peritos encontraram no corpo da pequena Sophia hematomas com diferentes colorações, um indício claro de que a criança sofria maus-tratos e tortura há um período considerável. Durante seu depoimento à Polícia Civil, realizado na quarta-feira, 18 de fevereiro, Karen confessou ter esganado a menina e colocado-a para dormir após a criança se recusar a comer. A mulher admitiu que as agressões contra Sophia eram frequentes e que não mantinha qualquer tipo de afinidade com a vítima.

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Contexto familiar e omissões

Sophia Emanuelly de Souza nasceu em Cerqueira César, na região de Itapetininga, em 2022, e completaria 4 anos no próximo dia 11 de abril. Desde 2024, ela vivia com o avô e a companheira dele em um apartamento localizado no Parque São Sebastião, na zona Leste de Ribeirão Preto. A mãe da criança perdeu a guarda devido ao uso de drogas, conforme relatado pelo próprio avô às autoridades policiais.

O caso revelou graves falhas no sistema de proteção à infância. A menina não estava matriculada em nenhuma instituição de ensino e tampouco recebia acompanhamento por programas sociais municipais. Diante dessas omissões, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar possíveis responsabilidades de membros dos conselhos tutelares e da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Linha do tempo dos maus-tratos

O delegado responsável pelo caso, Sebastião Vicente Picinato, acredita que os maus-tratos sofridos por Sophia se estendiam por mais de um mês, com base na variedade de cores dos hematomas encontrados em seu corpo. "A partir das colorações dos hematomas, é possível concluir que as agressões vinham ocorrendo há algum tempo, pois eles evoluem do vermelho ao roxo, depois ao verde e amarelo até desaparecerem. Encontramos no corpo da criança hematomas em várias dessas fases", explicou o delegado.

Karen confirmou durante interrogatório que batia na menina com regularidade, justificando as agressões pela falta de afinidade e pela recusa da criança em se alimentar. Já a defesa de José dos Santos, representada pelo advogado Luís Felipe Rizzi Perrone, nega veementemente que o avô tenha agredido a neta. Segundo a versão da defesa, Karen mentia ao marido quando questionada sobre as marcas no corpo de Sophia, atribuindo-as a quedas ou acidentes durante brincadeiras.

Descoberta do crime e investigações

O caso veio à tona quando José dos Santos levou a menina já sem vida à Unidade de Pronto Atendimento da Avenida Treze de Maio, na noite de 17 de fevereiro. Ele informou aos médicos que a criança havia passado mal e vomitado durante o trajeto. A polícia foi acionada imediatamente e compareceu ao apartamento da família ainda na mesma noite. A médica legista que atendeu na UPA constatou que a morte havia ocorrido pelo menos 12 horas antes da chegada ao local.

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Inicialmente registrado como tortura com resultado morte, o boletim de ocorrência deve ser alterado para homicídio triplamente qualificado, considerando os elementos de meio cruel, motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. "Houve tortura imputada aos autores, e agora também temos o homicídio triplamente qualificado por motivo fútil. Não gostar de alguém lhe dá o direito de matar essa pessoa? Temos a asfixia, que é um meio cruel, especialmente contra uma criança, e a impossibilidade de defesa da vítima contra seus agressores", detalhou o delegado Picinato.

Até o fechamento desta reportagem, o corpo de Sophia permanecia no IML, aguardando a liberação por familiares. Não há previsão para o sepultamento. A Defensoria Pública, que representa Karen Tamires Marques, manteve-se em silêncio sobre o caso, conforme sua política de não se manifestar publicamente sobre processos criminais em andamento.