
A cena foi de caos puro. Na porta da Escola Estadual Doutor Garcia de Lima, no bairro Santa Catarina, o que deveria ser um local de passagem tranquila virou palco de uma agressão coletiva que deixou a comunidade em estado de choque. Tudo porque um professor—cujo nome a polícia ainda mantém em sigilo—foi acusado por alunas de supostamente praticar assédio sexual dentro da sala de aula.
Não deu outra. Assim que a história correu entre os pais, um grupo de mães—cegas de raiva—decidiu fazer justiça com as próprias mãos. Na tarde de quarta-feira (27), esperaram o docente chegar para dar aula e partiram para a agressão. Gritos, empurrões, e uma atmosfera pesada tomaram conta da frente da unidade de ensino.
A polícia militar foi acionada às pressas. Dois veículos precisaram ir ao local para conter a confusão e isolar a área. Ninguém ficou ferido gravemente, mas o susto foi geral. O professor, assustado e constrangido, precisou ser acompanhado pelos PMs até a 77ª Delegacia de Polícia, onde registrou ocorrência contra as agressoras.
Afinal, o que teria acontecido dentro da escola?
De acordo com relatos colhidos entre alunos e familiares, o docente teria feito comentários inapropriados e avanços de teor sexual contra algumas adolescentes. A direção da escola já sabia das denúncias—que, pasmem, vinham rolando há semanas—mas não havia tomado nenhuma providência pública até o momento do linchamento moral.
O caso escancara, de novo, a fragilidade dos protocolos de proteção a vítimas de assédio no ambiente escolar. E também revela um lado sombrio: a incapacidade de muita gente de esperar que a Justiça funcione—por mais lenta que seja.
“A gente fica indignado. Nossas filhas não podem ser expostas a isso”, desabafou uma mãe que preferiu não se identificar. “Mas violência nunca é a resposta. Agora, o caso vira notícia policial e o foco sai das vítimas.”
E agora, o que vai acontecer?
A Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) emitiu uma nota dizendo que abriu um processo administrativo para apurar o caso. Enquanto isso, o professor foi afastado preventivamente das atividades. Do outro lado, as mães envolvidas na agressão podem responder criminalmente por lesão corporal e constrangimento ilegal.
Uma coisa é certa: a comunidade escolar de Juiz de Fora não vai esquecer tão cedo esse episódio. E o debate sobre como combater—e prevenir—casos de assédio nas escolas ganha mais um capítulo tenso e urgente.