Kyra Gracie expõe assédio sofrido na juventude e denuncia cultura de silêncio no jiu-jítsu
A lutadora Kyra Gracie, de 40 anos, cinco vezes campeã mundial de jiu-jítsu e empresária de uma rede de academias no Rio de Janeiro com o marido, o ator Malvino Salvador, de 50 anos, utilizou suas redes sociais para compartilhar uma experiência traumática de abuso no universo das lutas. Em um vídeo emocionante, ela revelou ter sido vítima de assédio por um homem significativamente mais velho quando tinha apenas 18 anos, uma jovem promissora da prestigiosa família Gracie, a mais influente na história da modalidade.
O relato chocante do assédio
Kyra descreveu com detalhes a abordagem inapropriada do indivíduo, que se oferecia para patrociná-la, mas rapidamente transformou a proposta em um cenário de constrangimento e medo. "Imagino você peladinha dentro do meu quimono. Um senhor de idade falando isso para uma menina. E essa menina era eu. Ele veio me abordar, dizendo que queria me patrocinar, e eu congelei", relatou a campeã, destacando o impacto psicológico imediato da situação.
Ela acrescentou que, sempre que o homem aparecia em eventos, sua reação era de pavor e imobilidade. "Quando estava nos eventos e ele aparecia, eu me escondia, congelava de novo. Ele errou, mas eu me calei. Guardei isso até agora porque o ambiente silencia muito as mulheres", explicou Kyra, enfatizando como a cultura do esporte muitas vezes sufoca as vozes femininas.
A falsa blindagem do sobrenome Gracie
Segundo a lutadora, seu renomado sobrenome criou uma ilusão de proteção que não correspondia à realidade. "Tenho certeza de que se eu não fosse da família Gracie, seria muito pior", afirmou ela, sugerindo que outras atletas sem essa notoriedade podem enfrentar situações ainda mais graves e sem qualquer resguardo.
Kyra optou por não identificar publicamente o agressor, mas fez questão de alertar que ele continua ativo nos bastidores do esporte até os dias atuais, inclusive patrocinando outras mulheres. Essa revelação levanta sérias questões sobre a segurança e a integridade no ambiente competitivo.
Crítica ao sistema e consequências pessoais
A campeã foi enfática ao criticar a normalização do assédio no jiu-jítsu. "O assédio que acontece nos bastidores com meninos e meninas não é uma exceção, é um problema do sistema todo", declarou, apontando para uma falha estrutural que vai além de casos isolados.
Essa experiência traumática teve um impacto profundo em sua carreira e vida pessoal. Kyra revelou que, em grande parte devido a esses abusos, ela se afastou do mundo das competições. "Como mulher, não me sinto feliz, não quero levar as minhas filhas e não me sinto confortável. Tive que buscar uma outra forma de continuar no jiu-jitsu, porque eu amo", compartilhou, destacando como o amor pelo esporte a levou a reinventar sua participação, focando agora no empreendedorismo com suas academias.
Seu depoimento serve como um alerta importante para a necessidade de mudanças culturais e institucionais no esporte, promovendo um ambiente mais seguro e respeitoso para todos os atletas, independentemente de gênero ou idade.