Suspeito de feminicídio em Astolfo Dutra possui extenso histórico criminal com 50 registros
O homem de 31 anos preso em flagrante pelo feminicídio de sua companheira em Astolfo Dutra, na Zona da Mata mineira, apresenta uma ficha criminal impressionante com cinquenta registros, conforme documentos acessados pelo g1 nesta quinta-feira (19). Além do extenso histórico delituoso, o indivíduo já conseguiu fugir duas vezes do sistema prisional, evidenciando falhas na segurança carcerária.
Crime brutal ocorreu na última terça-feira no Bairro São José
O feminicídio aconteceu na última terça-feira (17), na residência onde o casal vivia há aproximadamente sete meses, localizada no Bairro São José. Após cometer o crime, o suspeito fugiu utilizando uma bicicleta, mas foi localizado e preso horas depois na cidade vizinha de Cataguases. As investigações da Polícia Militar indicam que o homem teria batido repetidamente a cabeça da vítima contra o vaso sanitário, que foi encontrado quebrado e ensanguentado, e em seguida a golpeou com facadas na região abdominal.
Histórico detalhado revela padrão de violência e reincidência
Ademir Silva Oliveira Neves acumula registros criminais desde 2014, com predominância de crimes violentos e múltiplas passagens pelo sistema prisional. Confira a distribuição detalhada dos cinquenta registros:
- Lesão corporal: 14 ocorrências
- Ameaça: 8 registros
- Furto: 8 casos
- Dano: 4 registros
- Roubo: 3 ocorrências
- Vias de fato / Agressão: 3 registros
- Perturbação da tranquilidade: 2 casos
- Tráfico e consumo de drogas: 2 registros
- Outros crimes: incluindo resistência, incêndio em vegetação, fornecimento de produto que causa dependência a menor e denúncias envolvendo armas
- Feminicídio: 1 registro referente ao caso atual
Duas fugas do sistema prisional expõem falhas na segurança
O histórico de fugas do suspeito inclui duas ocasiões distintas:
- Fevereiro de 2016: escapou do Presídio de Cataguases enquanto cumpria pena em regime de progressão, sendo recapturado após um mês.
- Março de 2019: fugiu novamente e foi localizado quatro dias depois, em 12 de março.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou, através de nota, que em ambas as situações "as ocorrências foram comunicadas ao Poder Judiciário para as providências cabíveis". Já a Defensoria Pública, responsável pela defesa de Ademir, afirmou que em casos da área criminal se manifesta apenas nos autos para não prejudicar o andamento processual.
Confissão por ciúmes e prisão preventiva decretada
Imagens de câmeras de segurança registraram o homem saindo da residência por volta das 4h46 da manhã de terça-feira. Durante interrogatório, o suspeito confessou informalmente aos policiais que cometeu o crime motivado por ciúmes. Na quarta-feira (18), ele foi encaminhado ao presídio de Cataguases e, durante a audiência de custódia, o Ministério Público de Minas Gerais solicitou a conversão da prisão em flagrante em preventiva, argumentando a gravidade do crime e a periculosidade do acusado.
A Justiça acatou integralmente o pedido do Ministério Público, determinando que o suspeito permaneça preso por tempo indeterminado enquanto aguarda o julgamento. Esta decisão judicial considera não apenas o feminicídio recente, mas todo o histórico criminal do indivíduo, incluindo os múltiplos registros de violência e as fugas anteriores do sistema prisional.



