Família de pintor morto no Paraná relata histórico de ameaças pela companheira
A família do pintor Maycon Danilo Argman, de 39 anos, morto com uma facada pela companheira na madrugada de sexta-feira (10), em Londrina, no Paraná, não acredita na versão apresentada pela professora Fernanda Gomes Campano, de 34 anos, que alega ter agido em legítima defesa. O casal mantinha um relacionamento de cinco anos e residia juntos na cidade onde o crime ocorreu.
Relatos de ameaças e comportamento controlador
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, a irmã de Maycon, Claudia Argman, revelou que o pintor era constantemente ameaçado pela companheira. "Na minha casa no final do ano, dia 1º, com faca. Dormiu no meu quarto, ela levou a faca pra lá, acuou ele lá dentro, ele dormiu na marra, com medo, e acabou pegando no sono bêbado e no outro dia estavam de bem", relatou Claudia. "E semana passada também. Tinha faca debaixo do travesseiro dela, que ele me mostrou. Então, acho que isso não foi coisa do acaso e acho que também não foi legítima defesa".
A mãe de Maycon, Marilza Bonfim, descreveu Fernanda como possessiva e controladora. "Possessiva, tirou tudo o que ele gostava, que era ser um peão. E ele foi cedendo, cedendo, ela foi se apossando, se apossando, rastreando ele, tomando conta de tudo, de tudo. Era tudo do jeito que ela queria, sair do jeito que ela queria, por roupa do jeito que ela queria, celular rastreado, carro rastreado", afirmou Marilza. Maycon era natural de Cruz das Posses, distrito de Sertãozinho, no interior de São Paulo, e havia abandonado o sonho de ser peão para viver com a companheira.
Versão da defesa e alegações de violência doméstica
À polícia, Fernanda Gomes Campano declarou em depoimento que era vítima de violência doméstica e que havia sido agredida por Maycon em pelo menos três ocasiões. Ela informou que não registrou boletins de ocorrência sobre as agressões, mas apresentou imagens que mostram lesões. A defesa da professora alega que ela agiu para repelir uma agressão física iminente iniciada pelo então companheiro.
"A defesa de Fernanda Gomes Campano informa que o trágico ocorrido na madrugada desta sexta-feira, em Londrina, foi um ato de sobrevivência diante de um histórico de violência doméstica. Fernanda agiu em legítima defesa para repelir uma agressão física iminente iniciada pelo então companheiro", afirmou a defesa. "A defesa confia que o Judiciário aplicará o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero do CNJ, reconhecendo que estamos diante de uma mulher que lutou para não se tornar mais uma estatística de feminicídio".
Detalhes do crime e investigação policial
O crime ocorreu dentro do apartamento onde o casal vivia em Londrina. Câmeras de segurança registraram o momento em que Maycon e Fernanda chegaram ao prédio às 23h29. Nas imagens, os dois aparecem conversando. Um minuto depois, ele voltou para o elevador, e ela foi atrás, mas foi empurrada. Após uma discussão, entraram juntos no apartamento.
Às 0h46, Fernanda foi até o apartamento do vizinho e bateu na porta pedindo socorro. O homem saiu e foi até o apartamento do casal, onde encontrou Maycon já morto. A polícia foi acionada pela própria Fernanda e chegou rapidamente ao local. Ela confessou ter esfaqueado o companheiro durante uma briga. O corpo do pintor foi sepultado na tarde de sábado (11), no Cemitério de Cruz das Posses.
Fernanda Gomes Campano está presa preventivamente pelo crime, enquanto as investigações continuam para apurar as circunstâncias exatas do homicídio e as alegações de ambas as partes.



