
Não é fácil. Na verdade, é desgastante, frustrante e muitas vezes solitário. Mas quando se trata do seu filho, cada degrau vira montanha a ser escalada. Em Belo Horizonte, uma mãe transformou sua dor em combustível para uma batalha que deveria ser de todos: o direito à educação acessível para crianças autistas.
Imagine acordar todos os dias sabendo que a escola – lugar que deveria ser porto seguro – é mais uma barreira a ser transposta. Pois é exatamente essa a realidade que muitas famílias enfrentam, mesmo com leis que, no papel, parecem protetoras.
O Sistema Versus a Vida Real
A gente até tenta acreditar que tudo vai funcionar, não é? Matricula, chega lá, e... surpresa! A estrutura prometida não existe. Os profissionais capacitados? Às vezes nem sabem o que é neurodiversidade. E aí você vira advogada, pedagoga, terapeuta e ativista – tudo de uma vez só.
O caso específico que me chamou a atenção – e provavelmente vai te incomodar também – é de uma guerreira que prefere não ver seu nome estampado, mas cuja voz ecoa por corredores públicos há meses. Seu filho, criança autista, precisa de suporte especializado para aprender. Básico, elementar, óbvio. Só que na prática... bem, na prática a coisa complica.
O Que Diz a Lei (E Por Que Ignoram?)
Você sabia que a Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015) é bem clara? Garante acesso à educação em igualdade de condições. Mas entre o texto legal e a realidade das escolas, parece haver um abismo intransponível – ou conveniente.
E não é falta de aviso. A mãe em questão já perdeu as contas de quantas vezes explicou, documentou, protocolou. E a resposta? Quase sempre a mesma: "não temos verba", "não está previsto", "vamos ver no próximo ano". Enquanto isso, uma criança fica sem atendimento adequado. Algo está muito errado.
Não É Drama – É Direito
Alguns podem pensar: "mas toda criança tem dificuldades". Não é questão de dificuldade. É de necessidade específica. Negar isso é como fechar os olos para um problema que só cresce – o número de diagnósticos de autismo aumenta, e as escolas continuam paradas no tempo.
O que mais me impressiona? A resiliência dessa mulher. Ela não parou na primeira negativa, nem na décima. Transformou sua frustração em ação, bateu em portas, mobilizou outros pais, virou uma espécie de referência involuntária para famílias na mesma situação.
E olha, não é sobre heroísmo – é sobre sobrevivência. Quando o sistema falha, os pais viram sistema. Improvisam, criam, reinventam. Mas cansa. Cansa muito.
O Que Esperar do Futuro?
Será que casos como esse vão finalmente acordar as autoridades? Ou vamos continuar vendo famílias inteiras se desdobrando para ter o mínimo? A educação inclusiva não é favor – é obrigação legal e moral.
Enquanto escrevo isso, me pergunto quantas outras mães estão, neste exato momento, lutando a mesma batalha silenciosa. Em BH, no Brasil todo. Histórias que não chegam aos jornais, mas que definem vidas inteiras.
O recado que fica? A luta continua. E talvez, só talvez, a teimosia amorosa de uma mãe seja mais poderosa que a burocracia de um sistema inteiro. Torço para que sim.