
O silêncio na humilde casa no bairro São Gabriel, em Belo Horizonte, já não é mais o mesmo. Ele foi substituído por um luto pesado e por uma pergunta que ecoa sem resposta: por quê? Tudo porque João Batista Rodrigues da Silva, um gari de 49 anos que dedicava sua vida a manter a cidade limpa, foi brutalmente assassinado com um tiro no peito. O autor? Um empresário local, que supostamente reagiu com violência extrema a uma discussão de trânsito no último dia 25 de agosto.
— A gente não espera por uma coisa dessas. Meu pai saiu para trabalhar e não voltou. É um vazio que não dá pra explicar — desabafa Maria Silva, a filha mais velha, com a voz embargada pela dor.
Agora, a família, mergulhada numa dor que parece não ter fim, decidiu lutar. E não é só no campo criminal, onde o suposto assassino responde por homicídio. Eles entraram com uma ação na Justiça exigindo uma indenização de R$ 500 mil por danos morais. Mas vai além do valor em dinheiro. O que eles pedem, talvez, seja algo ainda mais crucial: uma pensão mensal. Algo que garanta a sobrevivência de quem dependia financeiramente de João Batista.
O que a lei diz?
Não é simplesmente um pedido, mas um direito. A advogada da família, Dra. Ana Lúcia Costa, explica que a pensão por morte é um amparo previdenciário fundamental. "Em casos como este, de morte violenta, o sustento da família é abruptamente ceifado. A pensão não é um favor, é uma necessidade vitalícia para os dependentes que ficaram", argumenta. O valor, é claro, vai depor de contribuições anteriores, mas a batalha judicial já começou.
O empresário, dono de uma oficina mecânica, está preso preventivamente. A defesa alega legítima defesa, mas o Ministério Público já ofereceu denúncia. A Polícia Civil garante que as investigações são robustas, com imagens de câmeras e testemunhas que contam uma história de fúria descontrolada.
Enquanto os trâmites legais seguem seu curso — lentos, como de costume —, a família de João tenta reconstruir a vida. Uma vida que, de uma hora para outra, perdeu seu alicerce. Eles não querem apenas vingança; querem justiça. E, acima de tudo, querem que a sociedade enxergue o valor de um trabalhador, cuja vida foi interrompida de forma tão abrupta e injusta.